A Região Metropolitana de Campinas (RMC), mantém posição estratégica na economia nacional. Dados do Mapa dos Tributos no Brasil, divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) com base em informações da Receita Federal, mostram que nove cidades da RMC estão entre os 100 municípios que mais arrecadaram tributos no país em 2024. Juntas, essas 100 cidades concentraram R$ 1,9 trilhão, o que corresponde a 77% de toda a arrecadação nacional no período.
Força regional
No ranking elaborado pelo IBPT, Campinas aparece na 10ª colocação, com arrecadação de R$ 26 bilhões em 2024. Outros municípios da região também figuram na lista: Indaiatuba ocupa a 41ª posição, com R$ 6,4 bilhões; Sumaré aparece em 65º lugar, com R$ 4,2 bilhões; Vinhedo é o 71º, com cerca de R$ 3,8 bilhões; Jaguariúna ocupa a 82ª posição; Paulínia está em 86º; Itatiba em 89º; Americana em 92º; e Valinhos fecha o grupo na 98ª colocação, todos com arrecadações superiores a R$ 2,7 bilhões.
Para o presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike, a concentração da arrecadação nas regiões Sul e Sudeste está diretamente ligada à presença de polos industriais, comerciais e de serviços. "Existem municípios que, mesmo com menor população, ainda registram uma arrecadação muito elevada por conta da concentração de indústrias, comércio e prestadores de serviços", afirma. Segundo ele, cidades com economia baseada em setores como turismo ainda não conseguem alcançar o mesmo volume arrecadatório.
Indicador per capita
O levantamento aponta municípios como Jundiaí, Sorocaba, Campinas, Osasco, Barueri, Curitiba, Porto Alegre, Joinville, Itajaí e Caxias do Sul entre os destaques nacionais em arrecadação. No indicador per capita, Barueri lidera com R$ 110,4 mil por habitante. Já São Paulo, embora seja a cidade que mais arrecada no país, aparece apenas na 12ª posição nesse critério.
Alterações futuras
Olenike avalia que o cenário poderá sofrer alterações com a implementação da reforma tributária, que mudará a lógica de cobrança dos impostos. Atualmente, a tributação ocorre na origem da produção, beneficiando cidades industriais. Com a reforma, a cobrança será no destino, onde ocorre o consumo. "A expectativa é que os municípios consumidores passem a ter mais destaque", explica, citando possíveis impactos positivos para regiões do Norte e Nordeste.
Mesmo com esse cenário de transição, o Top 5 do ranking permanece igual ao de 2023, liderado por São Paulo, seguido por Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Osasco, todas com queda na arrecadação.
Além do volume arrecadado, o estudo do IBPT demonstra como a concentração econômica impacta diretamente a distribuição dos tributos. Na RMC, a combinação entre indústria, comércio e serviços são fatores essenciais para sustentar esse desempenho.