Em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo (28), o Ministério Público do Trabalho (MPT) da 15ª Região, com sede em Campinas, apresentou nesta segunda-feira (26) um panorama atualizado sobre as ações de enfrentamento à prática na região de campinas, no interior paulista e no litoral norte. De acordo com o balanço a região de Campinas, registrou um salto expressivo no volume de denúncias de trabalho escravo, elas subiram de 68 em 2024 para 83 em 2025, um aumento de 22%
Análise geral
Em 2024, o MPT contabilizou 240 denúncias envolvendo trabalho em condições análogas à escravidão. Em 2025, o total permaneceu praticamente no mesmo patamar, com 238 registros. A atuação institucional acompanhou esse volume. Na esfera extrajudicial, foram firmados 63 Termos de Ajuste de Conduta (TACs) em 2024 e 59 no ano seguinte. Já no campo judicial, houve leve aumento no número de ações civis públicas ajuizadas, que passou de nove para dez.
Indicadores
Para a coordenadora regional da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Conaete), Regina Duarte da Silva, a estabilidade dos números revela dois aspectos complementares: a consolidação dos mecanismos de fiscalização e denúncia e, ao mesmo tempo, a permanência da exploração em determinados setores econômicos.
"A manutenção de indicadores próximos às 240 denúncias anuais demonstra que a exploração em condições análogas às de escravo permanece estrutural em diversos setores. Entretanto, essa estabilidade também é fruto de uma sociedade mais consciente e de canais de denúncia mais acessíveis, o que impede que esses casos fiquem invisibilizados", explica a coordenadora.
Segundo ela, "o enfrentamento ao trabalho escravo exige um esforço interinstitucional coordenado. A atuação conjunta do MPT com a Auditoria Fiscal do Trabalho, a Polícia Federal e as forças de segurança pública é o que permite uma resposta rápida e eficaz em campo", pontua.
Destaque regional
A análise por unidades evidencia realidades distintas. NA região de campineira, o número de denúncias saltou de 68 em 2024 para 83 em 2025, um crescimento de 22%. O avanço também se refletiu na formalização de acordos: os TACs assinados passaram de dois para 23 no período, indicando maior adesão de empregadores à regularização das frentes de trabalho.
Outras regiões mantiveram alta demanda. Ribeirão Preto e Sorocaba registraram 43 denúncias cada em 2025, enquanto Bauru apresentou crescimento relevante, passando de 17 para 28 registros, com alta de aproximadamente 64,7%.
"O Ministério Público do Trabalho e os seus parceiros institucionais continuarão empregando todos os esforços e ferramentas necessárias para erradicar o trabalho escravo no interior paulista, garantindo a defesa da dignidade da pessoa humana", conclui Regina Duarte da Silva.