Por:

Ativos imobiliários atraem fundos de investimentos

Campinas Shopping, um dos principais centros comerciais da cidade, foi um dos ativos | Foto: Campinas Shooping

Ativos imobiliários voltados a galpões logísticos, prédios corporativos e shopping centers instalados na região de Campinas passaram a atrair, com mais intensidade, o interesse de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs). Com expectativa de retorno no médio e longo prazos, esse movimento ganhou força do segundo semestre de 2025 até a primeira quinzena de janeiro de 2026, período em que ao menos seis operações foram anunciadas, além de outras em negociação, somando R$ 1,235 bilhão em transações.

Negócios milionários

Entre as maiores operações estão participações em dois importantes centros de compras da cidade. Em 2025, a administradora brMalls vendeu sua fatia no Campinas Shopping por R$ 411 milhões para FIIs geridos pela Vinci, XP e Genial. Já a Sonae negociou 25,9% do Parque Dom Pedro, empreendimento controlado pela Allos, por R$ 625 milhões, em operação realizada com um fundo formado por capital de diversos family offices.

Além do varejo, o segmento logístico também apresentou movimentação relevante. Na segunda quinzena de dezembro, um Fundo Imobiliário do BTG anunciou a venda de um galpão em Campinas para a Air Liquide Brasil, por R$ 15,69 milhões. A chegada de 2026 intensificou o ritmo das transações: o fundo GGRC11 (GGR Covepi Renda) firmou compromisso de venda de um imóvel logístico, em negócio avaliado em R$ 77 milhões.

Outro destaque ocorreu nos primeiros dias de janeiro, quando o fundo Alianza Trust Renda Imobiliária adquiriu, por R$ 29,5 milhões, um imóvel pertencente ao Grupo Fleury, também localizado em Campinas.

O contrato ainda prevê valores adicionais: até R$ 7,5 milhões condicionados ao desempenho futuro e a possibilidade de mais R$ 12,6 milhões caso o Fleury exerça a opção de locar uma área de expansão de cerca de 825 m², correspondente ao terceiro pavimento do edifício.

Em mais uma operação divulgada recentemente, mas fechada em 30 de dezembro, o fundo VVRI11 anunciou, a compra de outro imóvel logístico em Campinas, novamente pelo valor de R$ 77 milhões, reforçando a estratégia de ampliação do portfólio na região.

Visão de mercado

Para o planejador financeiro Silvio Faria, a concentração de negócios com FIIs em Campinas reflete uma leitura clara do cenário macroeconômico. "Com a eminente queda de juros no país, os produtos mais conservadores vão começar a render menos nos próximos meses, dessa forma os FIIs se tornam mais atraentes que além da possível valorização do ativo, o investidor terá um aluguel mensal, chamado dividendo, que até o momento em nossa legislação tributária é isento de imposto de renda", afirma.

Faria ressalta ainda que, o ideal é investir recursos de menor necessidade imediata, com foco no longo prazo. A recomendação é manter as cotas por, no mínimo, 12 meses em carteira, período considerado adequado para uma avaliação mais consistente de performance e retorno.