A inadimplência voltou a avançar na Região Metropolitana de Campinas e levou o número de consumidores com dívidas em atraso a um novo recorde em novembro. Segundo a Serasa, 1,263 milhão de pessoas estavam negativadas no período, alta de 1,04% em relação a outubro e o 11º mês seguido de crescimento, a sequência mais longa dos últimos sete anos.
O aumento também aparece no volume financeiro das pendências. O total das dívidas na Grande Campinas atingiu R$ 9,670 bilhões, 0,99% acima do registrado no mês anterior. Entre janeiro e novembro de 2025, a elevação acumulada foi de 23,18%, percentual bem superior à inflação oficial de 3,92% medida pelo IPCA no mesmo intervalo. O cenário é influenciado pela política de juros elevados, com a Selic mantida em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos.
Indicadores
A combinação de renda insuficiente, custo de vida elevado, inflação e uso do cartão de crédito para despesas básicas tem pressionado o orçamento das famílias e contribuído para o avanço da inadimplência, refletindo diretamente na economia regional.
A desaceleração econômica também aparece nos indicadores de emprego. Em novembro, a RMC fechou 765 vagas com carteira assinada, resultado 151,14% inferior ao saldo positivo registrado no mesmo mês de 2024, segundo o Caged. O comércio liderou a geração de empregos no período, enquanto indústria, construção civil e agropecuária registraram cortes. Ainda assim, o acumulado de 2025 segue positivo, com 32.756 postos criados.
A inadimplência avançou em 17 das 20 cidades da RMC em novembro. Três municípios apresentaram leve recuo, caso de Engenheiro Coelho, de Holambra e Santo Antônio de Posse. Em Campinas, 2.576 novos nomes foram incluídos no cadastro, elevando o total para 489.603 ( 0,53%). O valor devido na cidade subiu 0,9%, alcançando R$ 3,802 bilhões.
No acumulado de janeiro a novembro, o número de devedores na RMC cresceu 10,98%, de 1,138 milhão para 1,263 milhão. A Serasa ressalta que o impacto vai além das finanças: a inadimplência afeta o bem-estar emocional e adia decisões e projetos pessoais.
No recorte regional, Valinhos apresentou o maior tíquete médio por inadimplente, de R$ 8.990,48, seguida por Holambra, Americana, Nova Odessa e Vinhedo. As dívidas com bancos e cartões de crédito lideram a inadimplência, representando 26,9% do total, seguidas por contas básicas domésticas e serviços.