Por: Rafael Lima

Câmara de São Roque (SP) pode instalar CPI para apurar os R$ 93 milhões no Banco Master

Vereador decidiu assinar a Comissão Parlamentar de Inquérito | Foto: Divulgação/Câmara Municipal de São Roque

O vereador Diego Costa, líder do governo na Câmara de São Roque, no interior de São Paulo, decidiu assinar o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a aplicação de R$ 93 milhões do São Roque Prev no Banco Master. A adesão, confirmada nesta terça-feira (28), garante o número mínimo de assinaturas e permite a instalação da comissão.

Antes dele, já haviam assinado o pedido os vereadores Dani Castro (PSD), Marquinho Arruda (PL), Paulo Juventude (Rede) e Rafael Tanzi (Republicanos).

Em discurso, Diego afirmou que a decisão foi motivada pela necessidade de esclarecimentos. “Chegamos a um momento em que a sociedade são-roquense pede respostas. Não é justo, muito menos honesto, da parte do Legislativo assistir essa história de braços cruzados”, declarou.

Ainda segundo o parlamentar, antes ele não entendia necessária a comissão, porém, com a questão das atas (entenda mais abaixo desta reportagem), evidências surgiram e justificam a abertura. “Não concordo com manobras políticas, chantagens ou qualquer ação que não seja do interesse coletivo de São Roque. Por isso, hoje assino o pedido para instauração da CPI”, afirmou.

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Agora, Câmara de São Roque tem cinco assinatura para abertura da CPI | Foto: CM

R$ 93 milhões

A investigação mira o investimento de mais de R$ 93 milhões feito pelo São Roque Prev, instituto de previdência dos servidores municipais, em letras financeiras do Banco Master, que entrou em liquidação extrajudicial em novembro do ano passado. Os recursos aplicados estão diretamente ligados à aposentadoria dos servidores.

O caso ganhou maior gravidade após a identificação de possíveis inconsistências na ata que autorizou a operação. Há duas versões divergentes do documento do Comitê de Investimentos, com avaliações distintas sobre o risco da aplicação, o que levantou suspeitas de eventual alteração.

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Ata do mesmo dia mostrou orientações diferentes sobre risco de investimento no Master | Foto: Montagem

O investimento foi realizado ao longo de 2024, em menos de seis meses, e corresponde a cerca de 18% da carteira do instituto, próximo ao limite de 20% permitido para esse tipo de aplicação.

Com a CPI, os vereadores devem apurar possíveis irregularidades na decisão de investimento, a eventual adulteração de documentos e as responsabilidades sobre um aporte que pode comprometer o futuro previdenciário dos servidores municipais.