Por: Da Redação

Arte concreta ganha mostra em Pinacoteca de Botucatu

A exposição tem curadoria de Yuri Quevedo, da Pinacoteca | Foto: Governo de SP

A Pinacoteca Fórum das Artes de Botucatu inaugurou, na sexta-feira (17), a exposição "Pluriforma: Concretos de São Paulo nos acervos da Pinacoteca e do Museu da Casa Brasileira".

A mostra é fruto de uma parceria inédita entre duas das mais importantes instituições culturais do estado, a Pinacoteca de São Paulo e Museu da Casa Brasileira unindo artes visuais e design para explorar o movimento concreto, uma das vertentes mais radicais do século XX.

Arte como construção

O foco da exposição está na arte concreta, que abandona a representação do mundo real para construir uma nova realidade baseada em formas geométricas, matemática e relações espaciais.

O percurso destaca o impacto do Manifesto Ruptura, de 1952, que consolidou o movimento em São Paulo ao propor uma produção objetiva e distante da subjetividade. A mostra reúne pinturas, esculturas e fotografias de nomes icônicos como Waldemar Cordeiro, Luiz Sacilotto e Judith Lauand.

Um destaque especial é a obra de Leopoldo Raimo, artista nascido em Botucatu em 1912, que demonstra a circulação dessas ideias vanguardistas para além da capital paulista.

Design

"Pluriforma" vai além das telas e ocupa o campo do utilitário com peças do acervo do Museu da Casa Brasileira. O público poderá conferir maquetes e mobiliários originais, como cadeiras e poltronas desenhadas por Geraldo de Barros.

Essas peças evidenciam como o rigor geométrico da arte concreta influenciou diretamente o desenho industrial e a arquitetura, integrando a estética moderna ao cotidiano das pessoas.

Segundo Jochen Volz, diretor-geral da Pinacoteca, essa integração entre criação e produção reflete como as formas ao nosso redor moldam a maneira como vivemos.

Difusão cultural

A iniciativa é da Associação Pinacoteca Arte e Cultura (APAC) e conta com o patrocínio da EDP, reforçando o compromisso com a preservação do patrimônio. Para a secretária da Cultura, Marília Marton, a circulação de acervos pelo interior é vital para democratizar o acesso à arte de relevância nacional.

A chegada da mostra a Botucatu não apenas celebra a história do design brasileiro, mas também fortalece a cidade como um polo de difusão cultural, conectando a população local a circuitos artísticos amplos e transformadores que definiram a identidade visual do país.