Por: Da Redação

Esalq, em Piracicaba, analisa cenário da citricultura

As chuvas torrenciais de janeiro impactaram o cinturão citrícola | Foto: Eduardo Girardi/Embrapa

Estudos da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da USP em Piracicaba, a Esalq, detalhou que as exportações brasileiras de suco de laranja começaram o ano de 2026 com sinais de recuperação. Embora o volume total embarcado na safra iniciada em julho de 2025 tenha ficado abaixo do ciclo anterior, o mês de janeiro trouxe um alento ao setor. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), esse movimento decorre da retomada da demanda da União Europeia (UE), destino hsitórico da produção nacional.

"No primeiro mês do ano, os envios de suco de laranja concentrado, especificamente ao bloco europeu somaram 50,3 mil toneladas, volume 55% acima do registrado em janeiro de 2025 e também o maior da atual temporada", aponta o Cepea.

De acordo com informações, a reabilitação dos fluxos para a Europa era uma meta prioritária para os exportadores. "No acumulado da safra 2025/26, os embarques brasileiros de suco de laranja concentrado a todos os destinos (66° brix) somam 495 mil ton., 4,6% abaixo do registrado no mesmo período da temporada anterior", aponta o órgão.

Interior paulista

Ao mesmo tempo que o mercado externo reage, o cenário no interior de SP enfrenta os desafios climáticos. As chuvas torrenciais de janeiro impactaram severamente o cinturão citrícola.

Em Limeira e Piracicaba, temporais que despejaram mais de 55 mm em poucas horas prejudicaram a qualidade dos frutos. "A umidade excessiva elevou a incidência de podridões e de fungos nos pomares. [...] Parte da produção destinada à indústria acaba sendo perdida, enquanto outra parcela chega ao mercado com padrão inferior, o que amplia a pressão sobre as cotações em um ambiente já caracterizado por oferta elevada", analisa o Centro de Pesquisas.

Greening

Além do fator climático, há a preocupação com a fitossanidade, isto é, com a sanidade vegetal. O greening, considerada a praga mais destrutiva da citricultura mundial, continua sendo a ameaça central. A enfermidade é causada por uma bactéria disseminada pelo inseto psilídeo popularmente chamado de cigarrinha.

A região de Limeira registra a maior incidência da praga, atingindo 79,38% dos pomares. Para combater esse avanço, um convênio de R$ 90 milhões foi firmado na Esalq, unindo 19 instituições de sete países no CPA-Citrus. O foco é a pesquisa aplicada para conter a bactéria transmitida pelo psilídeo, que compromete a produtividade e encarece o produto final.