O Conselho Universitário da Unesp aprovou a criação de um curso de graduação em língua e cultura chinesas, o primeiro com este formato inédito em toda a América Latina. A iniciativa marca um passo estratégico na internacionalização da universidade e busca atender à crescente demanda por profissionais qualificados para atuar com o principal parceiro comercial do Brasil. As primeiras 40 vagas já estarão disponíveis no Vestibular de Meio de Ano de 2026, com o início das aulas previsto para agosto, coincidindo com o calendário acadêmico da China.
O curso será um bacharelado ministrado na Faculdade de Ciências e Letras (FCL) do câmpus de Assis, no período noturno, com duração mínima de quatro anos. O diferencial desta graduação é a possibilidade de intercâmbio. Os alunos poderão cursar os dois primeiros anos no Brasil, focando na proficiência do idioma, e os dois anos finais na Universidade de Hubei, na China - essa parceria permitirá a obtenção de um duplo diploma.
Estrutura curricular
A grade curricular foi desenhada para oferecer flexibilidade aos estudantes. Segundo a professora Renata Giassi Udulutsch, diretora da FCL de Assis, o biênio inicial é focado no domínio do mandarim. Após esse período, os alunos poderão optar por concluir a formação no Brasil, com ênfase em tradução, ou participar de uma seleção para seguir à China. A seleção para o intercâmbio levará em conta o desempenho acadêmico e o nível de proficiência. Aqueles que viajarem para a Ásia terão uma formação voltada para os nichos de negócios, fundamentais para uma relação comercial que movimentou US$ 171 bilhões em 2025.
A aprovação no Conselho Universitário foi o ápice de um processo que durou de dezembro de 2023 a dezembro de 2025, envolvendo ampla consulta à comunidade acadêmica. O projeto pedagógico reflete uma adaptação inteligente da estrutura da universidade, aproveitando a expertise da Unesp, que já abriga o Instituto Confúcio desde 2008.
Mercado
As 40 vagas destinadas ao novo bacharelado não representam um aumento nos custos da instituição, pois foram remanejadas da graduação em Letras de Assis, que ajustou sua oferta de 140 para 100 vagas para se adequar à demanda local. O curso visa formar profissionais com sólida base humanística e competência intercultural, aptos a atuar como pontes entre os dois países. Com a consolidação deste projeto, a Unesp reforça seu papel como pioneira na educação voltada ao cenário global contemporâneo, preparando seus alunos para um mercado de trabalho cada vez mais conectado às potências asiáticas.