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MPF acusa mãe de Manga, de Sorocaba, de atuar como 'laranja'

Rodrigo Manga, prefeito afastado: acusação contra a mãe envolve a aquisição de um imóvel | Foto: Divulgação

A denúncia protocolada pelo Ministério Público Federal (MPF) no último dia 5, como desdobramento da Operação Copia e Cola, trouxe novos detalhes sobre a suposta participação de familiares do prefeito afastado de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), em esquemas ilícitos. O foco central da acusação recai sobre a mãe do político, Zoraide Batista Maganhato, suspeita de atuar como "laranja" em uma operação imobiliária estruturada para lavar dinheiro oriundo de crimes contra a administração pública.

Segundo os investigadores, a manobra envolveu a compra de um imóvel em Votorantim com o uso de dinheiro em espécie, estratégia que teria como objetivo principal ocultar a real procedência de recursos financeiros ligados a atividades criminosas anteriores, como corrupção passiva e fraudes em licitações.

Dinâmica

O MPF detalha que o esquema funcionou por meio de um arranjo documental imediato. Em 16 de setembro de 2021, Zoraide adquiriu formalmente um apartamento de 56,65 m² no Residencial Mariana II, em Votorantim, pelo valor declarado de R$ 55.500. A transação foi realizada junto à Construtora C.R. Abibe Ltda.

O que chamou a atenção dos órgãos de fiscalização foi a rapidez da etapa seguinte: no mesmo dia da compra, Zoraide doou o imóvel para o filho, Rodrigo Manga, e para a nora, Sirlange Rodrigues Frate Maganhato.

Para o Ministério Público Federal, essa transferência não foi um evento casual, mas sim uma "ponte" planejada para conferir um aspecto legítimo ao patrimônio do casal, dissimulando que o bem teria sido adquirido, na verdade, com valores de origem duvidosa.

Incompatibilidade

Um dos pilares da acusação é o relatório da perícia contábil realizado pela Polícia Federal. Os peritos analisaram a capacidade financeira de Zoraide e encontraram uma discrepância significativa entre seus rendimentos e o montante utilizado na compra do apartamento.

O documento aponta que a mãe do prefeito afastado recebe benefícios da Fundação da Seguridade Social dos Funcionários do Município de Votorantim, com valores mensais que variam entre R$ 1,3 mil e R$ 1,5 mil. Além disso, os investigadores registraram que não constam declarações de ajuste anual junto à Receita Federal em nome dela.

Com base nesses dados, o Ministério Público Federal conclui que Zoraide não possuía recursos lícitos declarados suficientes para realizar o pagamento de R$ 55.500 em dinheiro vivo, reforçando a tese de que ela foi utilizada para integrar valores ilícitos ao patrimônio da família.

Crimes correlatados

A denúncia sustenta que os três envolvidos — Rodrigo Manga, sua esposa Sirlange e sua mãe Zoraide — devem responder pelo crime de lavagem de dinheiro. O montante de R$ 55.500 estaria conectado a uma série de delitos antecedentes citados na investigação, que incluem a frustração do caráter competitivo de licitações e contratações diretas ilegais.

Dessa forma, a acusação entende que a doação do imóvel foi o expediente final para "oficializar" o dinheiro no sistema financeiro, tentando apagar os rastros de práticas ilícitas cometidas na esfera pública. O caso agora segue sob análise da Justiça Federal.

O Correio da Manhã procurou a Prefeitura Municipal de Sorocaba mas, até a publicação da matéria, não obteve retorno.

Relembre a operação

Deflagrada em 2025, a Operação Copia e Cola da PF desarticulou uma organização que desviava verbas da saúde em Sorocaba. A fraude envolvia uma Organização Social e crimes como lavagem de dinheiro, peculato e corrupção. Com 29 mandados de busca e R$ 20 milhões em bens bloqueados, a ação revelou o uso de depósitos em espécie e imóveis para ocultar recursos ilícitos.