A incorporadora de alto padrão JHSF solicitou autorização para a operação de voos comerciais a partir do Aeroporto Catarina - campo de aviação privado localizado no município de São Roque, a cerca de 50 km da capital.
De acordo com as informações, o requerimento é influenciado pelo seu impacto na administração do tráfego aéreo na região mais movimentada do país. O movimento também retoma o estudo sobre aviação comercial em aeroportos privados no Brasil. Segundo a agência Bloomberg, o tema está sob análise do Ministério de Portos e Aeroportos, que aguarda um parecer de sua área jurídica sobre como as regras para permitir essas operações deveriam ser feitas.
Atualmente, o Aeroporto Catarina é restrito a jatos particulares e táxis aéreos.
O debate se dá em um contexto de intensa sobrecarga da infraestrutura aeroportuária paulista, que abriga os dois aeroportos com maior fluxo de passageiros do país, Congonhas e Guarulhos. Ambos operam sob restrições relevantes, sobretudo nos períodos de maior movimento, o que acaba limitando a expansão do número de voos e criando obstáculos para a abertura de novas rotas.
O Correio da Manhã entrou em contato com a JHSF, que administra o Catarina, que afirmou que a incorporadora "não vai se manifestar sobre o tema".
Histórico
Criada pela família de José Auriemo Neto, a JHSF figura entre as principais incorporadoras de alto padrão do país, com atuação no mercado imobiliário residencial de luxo e abrange centros comerciais, hotéis e restaurantes associados a grifes internacionais renomadas.
Uma eventual autorização para que o Aeroporto Catarina passe a receber voos comerciais significaria um passo relevante na ampliação da frente de aviação do grupo e poderia inaugurar uma nova linha de receitas.
De acordo com informações disponíveis no site da companhia, a JHSF iniciou as operações do Catarina em 2019. Situado a aproximadamente 50 quilômetros da capital paulista, o empreendimento se posiciona como o primeiro aeroporto internacional brasileiro voltado exclusivamente à aviação executiva, com funcionamento ininterrupto, 24 horas por dia. Caso a mudança seja aprovada, segundo as informações, a empresa teria de erguer um terminal destinado a passageiros e realizar investimentos adicionais na infraestrutura da pista.
O debate envolvendo o aeroporto da JHSF ganhou novo fôlego no fim de 2025, diante de preocupações reforçadas com a escassez de slots (autorizações de horário para pousos e decolagens em um aeroporto) em Congonhas, principal aeroporto doméstico do país. O terminal opera muito próximo do seu limite, o que restringe a capacidade das companhias aéreas de ampliar frequências ou inaugurar novas rotas.
Aviação no Brasil
Ainda de acordo com a Bloomberg, o avanço dessas conversas expõe a crescente pressão sobre o sistema de aviação no Brasil, em especial em São Paulo, que concentra Congonhas e Guarulhos, os dois aeroportos com maior movimentação do país.
A expectativa do governo é de que, ao longo da próxima década, o volume de tráfego aéreo na região metropolitana chegue próximo ao limite operacional, o que tem estimulado a busca por alternativas capazes de ampliar a capacidade sem recorrer à construção de novos aeroportos públicos.
Legislação
Hoje, a legislação brasileira autoriza apenas aeroportos públicos a receberem voos comerciais regulares. Embora o tema esteja hoje disciplinado por decreto, há o entendimento de que qualquer mudança exigiria a tramitação de um projeto de lei. Essa interpretação é objeto de análise por áreas jurídicas, segundo fontes familiarizadas com o assunto.