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PF aponta que Manga transformou operação em 'espetáculo bizarro'

Para os investigadores, houve ridicularização em relação à atuação policial e órgãos de Justiça | Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) avaliou que o prefeito afastado de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), transformou o cumprimento de mandados judiciais da Operação Copia e Cola em um "espetáculo bizarro de deboche e desdém". Para os investigadores, a conduta representou escárnio contra os órgãos do sistema de Justiça criminal e teve como finalidade ampliar engajamento e obter ganhos financeiros por meio das redes sociais.

A conclusão consta em relatório encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). No documento, a PF afirma que a postura pública adotada por Manga, sobretudo no dia em que a operação foi deflagrada, ultrapassou os limites do direito à livre manifestação. Segundo o entendimento dos investigadores, houve ridicularização da atuação policial e exploração econômica de uma investigação ainda em andamento.

Postagens irônicas

De acordo com o relatório, poucas horas após a saída dos agentes federais de sua residência, em 10 de abril de 2025, o então prefeito passou a publicar vídeos em plataformas como Instagram e TikTok. Nas gravações, ironizou o trabalho da Polícia Federal e minimizou o conteúdo das diligências. Em um dos vídeos citados, afirmou em tom jocoso que os agentes teriam encontrado apenas "bolo de cenoura, Nutella e o Pokémon, que meu filho tanto ama".

Para a PF, o conteúdo não pode ser tratado como um episódio isolado. O relatório descreve uma sequência de publicações em que Manga reforça a narrativa de que estaria sendo vítima de perseguição política.

Essa estratégia, segundo os investigadores, é altamente apelativa e eficaz para ampliar alcance, atrair seguidores e aumentar a interação do público nas redes sociais.

Engajamento

A investigação identificou que a exposição pública da operação passou a ser encarada como conteúdo passível de monetização. Mensagens extraídas do telefone celular de Manga revelam conversas com a esposa, Sirlange Maganhato, sobre ajustes técnicos necessários para garantir remuneração no TikTok, incluindo a exigência de vídeos com duração superior a um minuto.

Segundo a PF, quanto mais sensacionalista e politizada a narrativa apresentada, maior tende a ser o engajamento do público e, por consequência, maior a remuneração obtida nas plataformas digitais.

Críticas

Além das postagens em redes sociais, a PF reuniu entrevistas concedidas por Manga a veículos de imprensa e canais digitais. Nessas falas, ele questiona a atuação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, insinuando que as investigações teriam motivação política e estabelecendo comparações com casos envolvendo outras figuras públicas investigadas.

Para os investigadores, o conjunto dessas manifestações configura uma tentativa deliberada de descredibilizar o aparato estatal responsável pela persecução penal. O impacto, segundo o relatório, não se limita à Polícia Federal, mas atinge o sistema de Justiça como um todo, razão pela qual o comportamento é classificado como escárnio institucional.

'Copia e Cola'

A análise da conduta pública de Rodrigo Manga está inserida no âmbito da Operação Copia e Cola, que apura um esquema de corrupção envolvendo contratos públicos da Prefeitura de Sorocaba. As investigações tiveram início na área da Saúde, mas, conforme a PF, avançaram para outros setores da administração municipal.

O prefeito foi afastado do cargo por decisão judicial, sob o argumento de que sua permanência poderia prejudicar a produção de provas e a continuidade das apurações. Segundo as informações, a Polícia Federal sustenta que Manga ocupa posição central no esquema investigado e que sua atuação pública, em vez de contribuir para o esclarecimento dos fatos, buscou deslegitimar a investigação, além de mobilizar apoio político e financeiro em seu favor.