A Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Proade) encerrou, na última semana de novembro, a primeira etapa do Programa Unesp Sem Assédio, iniciativa coordenada em parceria com a Ouvidoria Geral. A fase inicial consistiu na realização de rodas de conversa em todos os 24 câmpus, mobilizando estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos em um processo de escuta ativa voltado ao diagnóstico do assédio moral, sexual, importunação sexual e demais violências que atravessam a comunidade universitária.
Ideia concretizada
Idealizado a partir de uma demanda direta da reitora, professora Maysa Furlan, o programa foi estruturado com o compromisso de construir ações contínuas, para além de campanhas pontuais. A professora Ana Maria Klein, assessora da Proade, explica que o pedido surgiu da preocupação em dar uma resposta efetiva ao problema. "O nosso horizonte é termos uma universidade livre de assédio", completa.
Primeira etapa
A primeira etapa recém-concluída teve como eixo central a escuta das realidades locais. Em cada câmpus, as rodas foram organizadas em grupos separados por segmentos compostos por estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos.
As discussões abordaram desde a forma como o assédio é percebido e como certas condutas se tornam naturalizadas dentro do ambiente universitário até as reações diante de situações de violência. Também foram analisados os mecanismos institucionais de prevenção e combate ao assédio e apresentadas propostas de novos procedimentos e protocolos para reforçar a ação da universidade.
Com a finalização do cronograma em novembro, o número de participantes ultrapassou os 700 presentes.
Perfil diverso
A pluralidade regional e disciplinar da Unesp tornou indispensável a construção desse retrato amplo do que significa assédio em contextos distintos. "A Unesp é muito diversa. Falar de assédio em um curso de humanas é diferente de discutir o tema em agrárias ou na área da saúde. Não podemos pressupor que o assédio seja uma coisa única na universidade, ele tem facetas muito diferenciadas", afirma a assessora.
As rodas também evidenciaram problemas comuns entre os câmpus. Entre eles, o medo de denunciar, a dificuldade de reconhecer situações de assédio e a falta de informações claras sobre como proceder em casos de violência foram tópicos frequentes.
Segundo Ana Klein, esses pontos revelam a necessidade de fortalecer ações de orientação, tornando mais acessíveis tanto a compreensão sobre o que caracteriza assédio quanto os caminhos disponíveis para buscar apoio, registrar ocorrências e acompanhar o processo de denúncia dentro da universidade.
Próximos passos
Com o encerramento das rodas, a Proade inicia agora a segunda fase: sistematizar as falas, consolidar diagnósticos e elaborar estratégias. Entre as iniciativas em planejamento estão ações educativas, materiais informativos, uma atualização do Guia de Enfrentamento ao Assédio e conteúdos específicos para a recepção de ingressantes, incluindo orientações sobre trote.
A dimensão educativa, destaca a professora, é estruturante. "O assédio é sempre interseccional, envolve racismo, homofobia, transfobia, violências de gênero, entre outras. Por ser um fenômeno comportamental, exige ações educativas. Para mudar comportamentos, é preciso atuar na formação e na mudança de percepção; a punição, por si só, não transforma o pensamento de ninguém", destaca a assessora da Proade.
A expectativa é de que o conjunto de ações transforme, gradualmente, o cotidiano universitário. Ana Klein completa que o enfrentamento só se sustenta de forma coletiva e através do diálogo. "O nosso esforço é para mudar uma cultura, e isso se faz aos poucos e exige ação conjunta de todos os segmentos da universidade", completa.