Alguns dos edifícios mais conhecidos da paisagem paulistana e em grandes metrópoles ao redor do mundo levam a assinatura do arquiteto Isay Weinfeld, ainda que poucos saibam definir, com precisão, qual é seu estilo arquitetônico. Essas múltiplas frentes de atuação estão reunidas na exposição 'Etcétera', a mais abrangente mostra dedicada à sua carreira, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Cerca de 180 itens - entre maquetes de arquitetura, móveis, filmes, joias, peças de moda, textos do próprio artista e documentos diversos - ocupam as duas grandes salas que compõem o percurso da mostra para ajudar o espectador a mergulhar no universo, e na mente, do homenageado. O núcleo apresentado traça um panorama a partir de 1973, quando o arquiteto abriu o primeiro escritório. Ao longo de cinco décadas de produção intensa e coerente, o arquiteto paulistano construiu uma trajetória que atravessa, com rara fluidez, o design, as artes visuais e o cinema. Com curadoria de Agnaldo Farias, identidade gráfica de Giovanni Bianco e catálogo de fotos feitas por Bob Wolfenson, a mostra não se organiza como uma retrospectiva convencional, mas como a exposição de um modo de pensar e criar. Segundo o curador, "Isay faz arquitetura sem saber desenhar, desafiando um dos princípios basilares da arquitetura. Aliás, a fixação de seu primeiro desenho logo à entrada da exposição, uma casinha feita na infância, funciona como um recado aos estudantes: existem caminhos além daqueles previstos pelos currículos das escolas". Muitas das maquetes produzidas para a exposição subvertem a lógica tradicional da miniatura arquitetônica.