Se você tem sentido que o chocolate "não é mais o mesmo", saiba que não é só impressão. Para preservar as margens de lucro diante da crise global do cacau, fabricantes de chocolates reduziram o teor do fruto nas receitas, substituindo a manteiga de cacau por gorduras vegetais mais baratas, como palma e soja. A alteração compromete o sabor e a textura, resultando em um produto mais oleoso e com menor derretimento.
O movimento é reflexo da pressão de custos: em 2024, o preço da tonelada do cacau atingiu a marca histórica de US$ 13 mil, após quebras de safra na África. Como a oferta não acompanhou a demanda, a solução das empresas foi a de alterar a formulação. Atualmente, a variação do teor de cacau nas prateleiras é ampla, oscilando em até 70%, conforme a marca. A queda na qualidade não impediu a escalada de preços. Nos últimos 12 meses, barras e bombons ficaram mais caros. O cenário mobilizou o poder público e, na última semana, o Congresso aprovou uma proposta que eleva o percentual mínimo obrigatório de cacau nos produtos comercializados no Brasil.