Por: Ana Carolina Martins

Os prefeitos que esculpiram a política campineira

Praça Carlos Gomes em Campinas | Foto: Centro de Memória Unicamp

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Orosimbo Maia - Miguel Vicente Cury - Ruy Novaes - José Roberto Magalhães Teixeira, o "Grama" - Antônio da Costa Santos, o "Toninho". Cada um desses líderes políticos imprimiu a sua marca e alterou para sempre os rumos da cidade que se transformaria na atual metrópole regional | Foto: Acervo Fotográfico MIS Campinas

A história de Campinas não pode ser contada apenas a partir dos seus ciclos econômicos, que vão do café à alta tecnologia. As lideranças que conduziram o município em momentos decisivos, ao longo de mais de dois séculos de administração municipal, deixaram marcas profundas na paisagem urbana, na organização institucional, social, econômica e até mesmo episódios dramáticos que abalaram os pilares políticos da cidade.

Febre Amarela

No final do século XIX, quando o município ainda se recuperava das consequências devastadoras da febre amarela e atravessava a transição de Império para República, a influência de Francisco Glicério foi determinante para projetar Campinas no cenário paulista. Sua atuação política, que extrapolava o âmbito municipal, consolidou a urbe como polo republicano estratégico no interior.

Nas primeiras décadas do século XX, o nome de Orosimbo Maia tornou-se sinônimo de modernização urbana. Em meio à reorganização da cidade, investiu em infraestrutura viária e planejamento, preparando a cidade para o crescimento que se intensificaria no pós-guerra.

Com a industrialização acelerada na segunda metade do século XX, gestões, como a de Miguel Vicente Cury, acompanharam a expansão territorial e o surgimento de novos bairros. Campinas deixava de ser essencialmente agrícola para assumir um perfil urbano-industrial.

A década de 1960 trouxe uma mudança estratégica com a criação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 1966. Embora tenha sido uma iniciativa estadual, a consolidação da instituição de ensino encontrou respaldo político local em administrações municipais, como a de Ruy Novaes, que governou num período de redefinição do papel da cidade no interior paulista.

Planejamento urbano

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Vista do alto da região central de Campinas, Rua Barão de Jaguara | Foto: Centro de Memória Unicamp

Durante o regime militar, o planejamento urbano ganhou centralidade. O governo de Magalhães Teixeira ficou associado à expansão viária e ao fortalecimento do perfil metropolitano da urbe. Seu governo priorizou a consolidação do eixo logístico regional, incluindo o crescimento do complexo do Aeroporto Internacional de Viracopos.

“Grama”, como era mais conhecido, tinha uma atuação bastante popular, marcada pela proximidade com a população, a chamada ‘política corpo a corpo', também entrou para a história por circunstâncias trágicas.

Ele morreu em 1982, aos 57 anos, em decorrência de um infarto agudo do miocárdio, quando ocupava o cargo de governador do Estado de São Paulo. Sua morte foi repentina e causou grande comoção política e popular, especialmente em Campinas, onde havia construído a base de sua trajetória pública.

A morte encerrou precocemente uma trajetória política ascendente e reforçou a sua imagem como uma das figuras mais influentes da política campineira no século XX. Ele foi um dos poucos políticos campineiros a alcançar o comando do governo paulista, o que reforça o seu peso histórico tanto na cidade quanto no estado.

Redemocratização

A redemocratização trouxe novos atores e novas pautas. A eleição de Jacó Bittar simbolizou a ascensão de forças políticas relacionadas aos movimentos sociais e sindicais. Nos anos 1990, a gestão de Francisco Amaral coincidiu com forte expansão urbana e consolidação da Região Metropolitana de Campinas.

Entretanto, no início do século XXI, a cidade viveria um de seus episódios mais traumáticos. Em 2001, o prefeito Antonio da Costa Santos, conhecido como ‘Toninho do PT’, foi assassinado a tiros quando retornava para a sua casa. O crime, que chocou Campinas e ganhou repercussão nacional, ocorreu poucos meses após ele assumir o mandato.

As investigações apontaram motivações relacionadas ao crime organizado, embora o caso tenha sido marcado por controvérsias e questionamentos ao longo dos anos. A morte de Toninho interrompeu um projeto político que prometia profundas mudanças administrativas, além de deixar uma marca de comoção e insegurança institucional na cidade.

Estabilidade

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Rua Senador Saraiva, em Campinas | Foto: Centro de Memória Unicamp

Na década seguinte, após períodos de instabilidade política e cassações que fragilizaram a Administração Municipal, a gestão de Jonas Donizette se empenhou para restabelecer equilíbrio fiscal e estabilidade institucional, num esforço de reconstrução da credibilidade da Prefeitura.

Ao revisitar essas administrações, percebe-se que a história política de Campinas é feita de obras, planos-diretores e expansão econômica, mas também de rupturas, crises e episódios trágicos e dramáticos. A morte precoce de “Grama” e o assassinato de Toninho do PT são capítulos que revelam como o poder local pode ser atravessado por circunstâncias inesperadas e, por vezes, violentas e criminosas.

A atual metrópole regional de peso nacional carrega na sua bagagem histórias e marcas desses líderes, assim como a memória das perdas que, em determinados momentos, mudaram o rumo de sua trajetória política.