Por: Patrick Bertholdo

'Ensaios da Anitta' injeta cerca de R$ 23,5 milhões na região de Campinas

Região de Campinas foi uma das escolhidas para mais uma edição do "Ensaios da Anitta" neste pré-carnaval | Foto: Patrick Bertholdo

A passagem do "Ensaios da Anitta" por Campinas no último sábado (24) foi mais do que um espetáculo pop: foi uma operação econômica de grande porte. Com público estimado em cerca de 30 mil pessoas no Sambódromo de Paulínia e ingressos esgotados, o evento elevou o consumo imediato em alimentação, transporte, hospedagem e serviços associados, consolidando a Região Metropolitana de Campinas (RMC) como praça relevante no calendário de entretenimento do pré-Carnaval.

Nos bastidores, a escala fica ainda mais clara. A estrutura foi descrita como uma megaoperação de aproximadamente 50 toneladas, transportada em cinco carretas, mobilizando localmente a contratação de equipes de montagem, segurança, logística, limpeza e alimentação, uma cadeia que começa antes da abertura dos portões e segue até a desmontagem.

Sem um balanço oficial divulgado até o fechamento desta edição, uma estimativa conservadora — construída a partir do porte do público, perfil de consumo e parâmetros usuais de gasto em eventos desse padrão — aponta impacto econômico direto na ordem de R$ 23,5 milhões, com faixa provável entre R$ 18 milhões e R$ 29 milhões, somando bilheteria, consumo no local, deslocamentos e pernoites. Como referência pública de preço, a pré-venda indicou ingressos a partir de R$ 120 chegando a R$ 800 no Open Bar (valores taxas, sujeitos a lotes).

A hotelaria é um dos canais mais sensíveis a esse tipo de atração. O dado mais recente disponível para Campinas aponta diária média (ADR) de R$ 451,75 e ocupação média de 62,28% (novembro/2025), segundo boletim municipal com base no Campinas e Região Convention & Visitors Bureau. Em um cenário prudente de 1 noite e ocupação dupla (2 pessoas por quarto), o evento pode ter gerado entre 1,5 mil e 3,15 mil "room-nights" (quartos/noite), sugerindo incremento de receita hoteleira entre R$ 0,68 milhão e R$ 1,42 milhão (ponto central ~R$ 1,05 milhão), distribuído entre Campinas, Paulínia e municípios vizinhos.

O impacto também aparece em empregos. Tomando como parâmetro a intensidade de geração de trabalho da economia cultural medida pela FGV (cadeia que, em 2024, movimentou R$ 25,7 bilhões e sustentou 228 mil postos), um evento com impacto de R$ 23,5 milhões corresponde, em termos equivalentes, a algo próximo de 200 postos de trabalho ao longo da cadeia — entre diretos (produção, segurança, montagem, alimentação, limpeza e operação), indiretos (fornecedores e serviços) e induzidos (efeito-renda no comércio e serviços locais).

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'Ensaios da Anitta' atraiu 30 mil pessoas ao Sambódromo de Paulínia, no último sábado | Foto: Patrick Bertholdo

Para os cofres públicos, há reflexos via impostos municipais e estaduais. Em Paulínia, serviços vinculados a diversão/lazer/entretenimento e palcos/estruturas temporárias constam com alíquota de 5% de ISS na tabela municipal, o que ajuda a dimensionar a relevância tributária desse tipo de operação. Na ponta do consumo, vale lembrar que, em alimentação e bebidas, parcela relevante da carga tributária se dá via ICMS (estadual), reforçando o efeito "regional" (municípios Estado) na arrecadação.

No fim, o "pulo do gato" é o Turismo: transformar grandes shows em permanência e experiência. Em São Paulo, o turismo já responde por cerca de 10% da economia estadual e o turista "pulveriza dinheiro": além do ingresso, espalha os seus gastos em diárias, refeições, transporte, comércio e serviços. É esse fluxo — recorrente e distribuído — que pode transformar eventos desse porte em motor contínuo de emprego e renda na região de Campinas.