Correio da Manhã
COLUNA POLÍTICA | PINGA-FOGO

Falta de plano de carreira expõe crise na Guarda Municipal de Campinas

Falta de plano de carreira expõe crise na Guarda Municipal de Campinas
GM durante operação no centro de Campinas Crédito: Firmino Piton/ Prefeitura de Campinas

A segurança pública constitui uma das maiores necessidades da população, que depende, entre outras forças, da atuação firme da Guarda Municipal. Mas, o Executivo falha ao postergar por anos a implantação do plano de carreira, gerando um cenário de estagnação funcional no qual diversos servidores completam 20 anos na mesma patente e precisam recorrer à Justiça para terem seus direitos garantidos.

 

Promessas adiadas

O vice-prefeito Wanderley de Almeida (PSB-SP), o Wandão, comprometeu-se com a reestruturação dos cargos há anos. A promessa, gravada em vídeo, voltou a circular nas redes sociais. "Mas, nunca saiu do papel. A gente sai de casa, não sabe se vai voltar, mas, a prefeitura parece que não sabe disso. Reconhecimento zero", afirma um GM que prefere não se identificar.

 

Direitos ameaçados

Os guardas municipais ainda enfrentam o risco iminente de supressão do adicional de risco de vida pago há quase 30 anos, em virtude de questionamentos de constitucionalidade nos tribunais superiores. "Representa boa parte do soldo. E como é que fica? A gente arrisca a vida, ganha mal e, ao invés das coisas melhorarem, do guarda ser valorizado, ainda querem diminuir o ganho?", questiona o agente.

 

Crise na corporação

A carência de valorização profissional resulta em um ambiente interno marcado por acentuado desgaste, desmotivação institucional e adoecimento físico e mental entre os operadores de segurança pública. Torna se inadmissível que o município ostente investimentos, em outras pastas, enquanto negligencia o capital humano responsável por atuar diretamente na proteção social da comunidade.

 

Respostas urgentes

A sociedade campineira demanda que o senhor prefeito Saadi converta discursos dos pares em ações concretas, encaminhando o projeto de lei do plano de cargos e carreiras de forma imediata ao Legislativo. Não é possível que agentes fiquem de pires nas mãos mediante à inércia do Executivo municipal. É preciso valorizar a GM. E, para isso, é preciso muito mais do que discurso.