Correio da Manhã
Campinas

Ativista político quer investigação na Câmara contra prefeito e vereador de Campinas

Ativista político quer investigação na Câmara contra prefeito e vereador de Campinas
O prefeito de Campinas Dário Saadi (Republicanos-SP) Crédito: Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas

O ativista político de Campinas Adriano Novo informou publicamente, por meio de redes sociais, e confirmou por telefone ao Correio da Manhã, que irá protocolar um pedido de Comissão Processante (CP) na Câmara Municipal de Campinas contra o prefeito Dário Saadi e o vereador Higor Diego, ambos do Republicanos-SP. A justificativa, segundo Novo, são os escândalos em relação ao Transporte (leia mais abaixo). O ativista declarou que o fará na sexta-feira (12) pela manhã, e que só não o fez hoje (11) devido à chuva.

“Numa cidade onde tudo estivesse às claras, uma comissão processante jamais seria necessária, mas a realidade é outra. A CP não é uma sentença, é uma lanterna lançada sobre os corredores escuros do poder, e, gostem ou não, é um dos poucos instrumentos que o cidadão comum possui para exigir transparência. Se há dúvidas, que sejam esclarecidas, se há perguntas, que sejam respondidas, porque o que realmente ameaça a democracia não é a investigação, é a escuridão”, declarou à reportagem.

Macaque in the trees
Ativista político Adriano Novo | Foto: Arquivo Pessoal

O ativista se refere à divulgação de imagens registradas na sede da Smile Transportes, em Paulínia, empresa de ônibus que compõe o Consórcio Grande Campinas, vencedor do Lote Norte da licitação do transporte público municipal, cujo valor estimado atinge R$ 11 bilhões.

O registro revela um diálogo sobre a prorrogação dos contratos das atuais empresas de ônibus. A conversa envolveu o empresário Emerson de Jesus, presidente da Smile, um lobista identificado como João e o vereador.

A gravação, datada de 30 de março, coincide com o período de tramitação do projeto de lei na Câmara, que originalmente previa estender os atuais contratos por até três anos, mas que foi alterada para o limite de dois anos no Legislativo.

Os áudios dão conta de que o vereador afirma que um assessor do prefeito orientou a mudança de estratégia para reduzir o prazo, com o aval de Saadi, e que Jesus concordou com a redução, defendendo que o recuo serviria para aliviar a pressão da imprensa sobre o governo municipal, preservando a imagem política do prefeito perante a opinião pública.

O outro lado

O Correio da Manhã entrou em contato com o vereador Higor Diego, que informou que irá “aguardar o objeto da denúncia” para se pronunciar.

Já o prefeitura declarou que "a eventual apresentação de pedido de Comissão Processante é uma prerrogativa de qualquer cidadão e sua análise é atribuição exclusiva da Câmara Municipal, a quem cabe avaliar os requisitos legais e deliberar sobre as medidas que entender cabíveis".

Reiterou "que os vídeos divulgados recentemente não apresentam qualquer fato novo", que "o conteúdo trata de um tema amplamente debatido na cidade à época: a prorrogação excepcional do contrato do transporte coletivo, assunto que mobilizou discussões públicas envolvendo Prefeitura, Câmara de Vereadores, imprensa e usuários do sistema".

Pontuou ainda que "a proposta inicialmente apresentada pela Administração previa prazo de três anos e, após o amplo debate realizado na cidade, o governo municipal reavaliou sua posição e reduziu a proposta para dois anos, mantendo cláusula que prevê a interrupção imediata da prorrogação após a conclusão da nova licitação do transporte coletivo".

Ainda de acordo com a nota, "a Prefeitura também já esclareceu que o prefeito Dário Saadi nunca se reuniu nem manteve contato telefônico com o empresário mencionado nos vídeos", e que "todas as decisões relacionadas à prorrogação do contrato ocorreram de forma pública, transparente e institucional, com o objetivo de garantir a continuidade do transporte coletivo até a conclusão da nova licitação do sistema".