Funcionários da Irmandade de Misericórdia de Campinas, que abrange os hospitais Irmãos Penteado e Santa Casa, estão sem receber o vale-transporte deste mês, segundo denúncia do grupo Santa Causa - membros que conseguiram na Justiça suspender a eleição da nova mesa diretiva por falta de transparência. Além disso, os salários, que deveriam ter sido pagos na sexta-feira (5), foram acertados na segunda (8) à tarde.
A diretoria do hospital emitiu um comunicado interno atribuindo a responsabilidade pelo atraso a um travamento burocrático na conta bancária, alegando que a instituição financeira exigiu análises jurídicas internas adicionais e burocracias extras para efetuar a liberação dos recursos da folha de pagamento.
Segundo a versão apresentada pela diretoria, essas exigências decorreram diretamente da decisão da Justiça de São Paulo, que determinou a suspensão das eleições para a escolha do novo comando do hospital.
Por outro lado, a Santa Causa, que ingressou com a ação, contesta a justificativa, pontuando que o ingresso na esfera judicial ocorreu devido justamente em razão da incompetência da atual gestão na condução do processo eleitoral.
Relata que a diretoria omitiu dados essenciais do pleito, escondeu a lista de votantes habilitados e estruturando um processo sem os mecanismos de transparência exigidos pelas normas legais e estatutárias. Em decorrência das irregularidades apontadas, o Poder Judiciário determinou a suspensão do pleito.
Ainda de acordo com o Santa Causa, a necessidade de garantias especiais demandadas pelo banco decorre da fragilidade legal em que a atual diretoria se encontra, sendo os atrasos consequências das condutas da própria administração.
Para o grupo, a atribuição de culpa à decisão judicial configura uma tentativa de desviar o foco de falhas de planejamento, de incapacidades de antecipação e do esgotamento do modelo administrativo vigente no hospital.
"Como membros da Chapa Santa Causa, e acima de tudo como profissionais que defendem a legalidade, temos o dever de restabelecer a verdade. O uso do salário e do sustento dos trabalhadores como escudo político é uma prática inaceitável", declara a nota enviada à imprensa.
O outro lado
O Correio da Manhã entrou em contato com a atual gestão da irmandade, que até o fechamento desta matéria não se pronunciou a respeito. O espaço segue aberto para publicação do posicionamento.
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