A eleição para nova gestão da Irmandade de Misericórdia de Campinas, que abrange os hospitais Irmãos Penteado e Santa Casa e que havia sido marcada para quinta-feira (30), foi suspensa nesta terça (28) pela Justiça, por meio de uma liminar, a pedido de membros da irmandade que entraram com uma ação solicitando a suspensão do pleito, sustentando falta de transparência e de acesso a informações essenciais para a disputa eleitoral (leia mais abaixo).
A entidade é investigada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por suposto esquema de “rachadinha” com vereadores, que teriam recebido de 10% a 20% dos recursos públicos que seriam destinados à instituição por emendas parlamentares impositivas.
O processo judicial se desenvolve em meio a questionamentos acerca da gestão administrativa das unidades hospitalares que negligenciam as normas estabelecidas pela Lei de Transparência. O portal eletrônico da entidade não apresenta demonstrações contábeis ou relatórios de natureza similar. O registro mais recente disponibilizado refere-se à assembleia geral ordinária de 2024.
Eleição
A sentença que barrou o pleito foi expedida pelo juiz Marcos Hideaki Sato da 10ª Vara Cível de Campinas, que ordenou que a Irmandade exiba em até 48 horas a listagem integral e atualizada de todos os integrantes com direito ao voto, contendo os registros fundamentais para contato e conferência de requisitos legais.
O magistrado se fundamentou na carência de dados necessários para assegurar a eleição entre os concorrentes. A análise judicial apontou que a manutenção da data original traria danos ao exercício democrático interno pois não haveria intervalo suficiente para o exame das planilhas ou retificação de falhas cadastrais.
Para integrantes do grupo Santa Causa, que integra uma das chapas na disputa e que entrou com a ação judicial, a decisão reforça a necessidade de maior clareza e organização no processo. “O que se busca é garantir um processo justo, com acesso às informações e condições equilibradas para todos os envolvidos”, afirma Paulo Aquino, candidato a provedor.
O outro lado
O Correio da Manhã entrou em contato com a entidade, que informou ter acabado de tomar ciência da ação judicial. O jornal aguara o posicionamento da irmandade para publicá-lo.