A Câmara de Campinas decidiu manter o prazo anunciado pela presidência da Comissão Processante para notificar o vereador Vini Oliveira (Cidadania-SP) a respeito da abertura da CP. Irá fazê-lo na semana que vem devido às condições de saúde do parlamentar, que está internado no Hospital da PUC-Campinas desde domingo (31). De qualquer forma, o colegiado reiterou nesta quarta-feira (3) que não irá esperar pela alta médica - já que pode ser prorrogada indefinidamente.
“A operação do Ministério Público (de São Paulo) e da Polícia Civil realizada nesta manhã é importante e reforça a seriedade dos fatos que levaram a Câmara a abrir a Comissão para investigar a conduta do vereador. A CP acompanha com atenção o desenrolar da operação e reitera que seguirá seu trabalho com rigor e transparência”, declara o vereador Paulo Haddad (PSD-SP), presidente da comissão.
Operação
A Polícia Civil e o MP cumpriram 11 mandados de busca e apreensão. em Campinas, incluindo a casa de Vini, o gabinete dele na Câmara e o hospital, além da sede da empresa em Paulínia, onde ocorreu a reunião em que o vereador foi flagrado com malote suspeito.
A investigação apura a suspeita de repasse de verba pública e recebimento de vantagens indevidas.
Foram apreendidos os celulares de Vini, do chefe de gabinete dele, Marco Castiglieri, do empresário Emerson de Jesus, da empresa de ônibus Smile, e do filho do executivo. Foram confiscados ainda R$ 30 mil em espécie na viação, R$ 4 mil na casa do assessor parlamentar, além de documentos e pen drives.
Relembre
O inquérito começou após a divulgação de imagens de câmeras de segurança de uma reunião ocorrida em 1º de abril na sede da Smile Transportes, em Paulínia. No vídeo, envelopes são colocados em uma caixa, que é entregue a um acompanhante do vereador.
A Smile Transportes integra o Consórcio Grande Campinas, vencedor do Lote Norte da nova licitação do transporte público de Campinas. Atualmente, não opera os ônibus municipais, e o certame em si não é o foco da investigação.
A ação foi executada pelo Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro, pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), pelo Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 2 (Deinter 2) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Em nota à imprensa, a Smile Transportes e Turismo Ltda declarou que “está prestando todos os esclarecimentos, disponibilizando informações necessárias às autoridades competentes e colaborando integralmente com as investigações para que os fatos sejam devidamente apurados”. Ainda de acordo com o comunicado, “a empresa reafirma a plena confiança na Justiça”.
Na esfera política, a Câmara abriu a Comissão Processante na última segunda-feira (1º) para investigar a suspeita de improbidade administrativa do parlamentar. O pedido, de autoria da vereadora Mariana Conti (PSol-SP), obteve aprovação de 29 vereadores presentes na sessão.
Além de Haddad, a CP é composta pelos vereadores Otto Alejandro (PL-P), relator da comissão, e Dr. Yanko (PP-SP). Os parlamentares foram escolhidos por meio de sorteio.
O rito legal prevê o prazo de dez dias para a apresentação de defesa prévia por escrito pelo denunciado após a notificação. Na sequência, a comissão tem cinco dias para emitir parecer pelo prosseguimento ou arquivamento do caso. A decisão cabe ao plenário, que a votará.
Caso, a votação decida por prosseguir, a comissão dispõe de 90 dias para a conclusão dos trabalhos e apresentação do relatório final. A cassação do mandato exige o voto de dois terços dos 33 vereadores da Casa.
Quem é Vini
Vini Oliveira, 22 anos, foi eleito com 11.423 votos. Foi o segundo mais votado - apenas atrás de Conti, com 14.356. Atua como influenciador digital com foco em serviços públicos municipais. Responde a um processo judicial, ainda sem sentença, movido por um médico do Hospital Mário Gatti por declarações publicadas na internet.
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