A empresa Sancetur - Santa Cecilia Turismo Ltda e o Consórcio Grande Campinas venceram a licitação que define as operadoras do transporte público coletivo de Campinas pelos próximos 15 anos. O leilão foi realizado na tarde desta quinta-feira (5), na sede da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. O contrato é estimado em R$ 11 bilhões.
A concessão divide o sistema em dois lotes. O Lote Sul, que reúne as regiões Leste, Sul e Sudoeste da cidade, ficará sob responsabilidade da Sancetur. Já o Lote Norte, que abrange as regiões Norte, Oeste e Noroeste, será operado pelo Consórcio Grande Campinas.
No leilão, as empresas disputaram a chamada tarifa de remuneração, utilizada como critério de julgamento da licitação. No Lote Sul, a tarifa inicial era de R$ 11,21, e a Sancetur apresentou proposta de R$ 9,54, deságio de 14,9%, vencendo a disputa. Também participaram da concorrência o Consórcio Andorinha e o Consórcio VCP Mobilidade.
No Lote Norte, cuja tarifa de partida era de R$ 11,76, o Consórcio Grande Campinas venceu após disputa de lances ao apresentar proposta de R$ 9,49, o que representa deságio de 19,3%. Nesse lote também apresentaram propostas a Sancetur e o Consórcio Mov Campinas.
De acordo com a prefeitura, a tarifa de remuneração utilizada no julgamento da licitação é diferente da tarifa pública paga pelo usuário na catraca. O valor considera os custos operacionais do sistema e os investimentos previstos pelas empresas.
O novo contrato prevê concessão de 15 anos, prorrogável por mais cinco, e inclui a operação das linhas de ônibus, o serviço de transporte para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida (PAI), além da gestão de serviços em terminais e nas estações do BRT e sistemas complementares de bilhetagem e monitoramento operacional.
A nova concessão também prevê a renovação da frota com veículos menos poluentes. O edital estabelece a incorporação de pelo menos 60 ônibus elétricos nos primeiros anos, além da utilização de veículos com padrão ambiental Euro 6 no restante da frota. O modelo também abre espaço para alternativas de propulsão, como biometano, gás natural e hidrogênio.
Segundo a prefeitura, os investimentos previstos incluem cerca de R$ 900 milhões na renovação da frota nos primeiros cinco anos e mais R$ 800 milhões nos dez anos seguintes, totalizando R$ 1,7 bilhão ao longo do contrato. Considerando também tecnologia embarcada, terminais e estações, o volume de investimentos chega a aproximadamente R$ 1,9 bilhão.
O sistema de arrecadação e bilhetagem eletrônica será estruturado por uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com participação das empresas vencedoras e da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec). Segundo a administração municipal, o modelo prevê governança compartilhada e fiscalização permanente, com apoio de auditoria independente.
A remuneração das operadoras também será vinculada ao desempenho operacional e à qualidade do serviço prestado. Entre os indicadores previstos estão regularidade das linhas, pontualidade, limpeza dos veículos, acessibilidade e qualidade da operação.