A TURMA DE RENAN CALHEIROS QUER BRUNO DANTAS NA VAGA DE BARROSO - A turma do Planalto está com uma pulga atrás da orelha sobre a derrota de Jorge Messias, provocada por uma declaração infeliz de Lula sobre o desejo de indicar o ministro do TCU, Bruno Dantas, para próxima vaga aberta no STF. "Na próxima vaga vou indicar Bruno, estou em débito com ele", teria dito Lula a um interlocutor próximo a Dantas.
Foi uma senha perigosa. A lógica foi simples. Por que não abrir a vaga agora? Com Rodrigo Pacheco pré-candidato ao Governo de Minas e com o crescente movimento de rejeição a Messias, os votos dos senadores alagoanos e daqueles que gravitam em torno de Renan Calheiros funcionaram como uma pá de cal para enterrar a votação.
A pulga na orelha da turma palaciana é para identificar se houve realmente digitais do movimento pró-Bruno nos votos que faltaram a Jorge Messias. Bruno Dantas sonha em ser integrante do STF há muito tempo e é capaz de um malabarismo político para que isso ocorra.
AS DIFICULDADES QUE O NOME DE RODRIGO PACHECO TERÁ DE ENFRENTAR PARA IR AO STF - As chances de senador Rodrigo Pacheco ser pinçado para a vaga de Jorge Messias ficam remotas por duas razões: fortalece ainda mais Davi Alcolumbre e reorganiza a direita em Minas, hoje fragmentada. No Lula 1 e Lula 2, o presidente teria a humildade em reconhecer que errou e trazer Pacheco para o STF, já no Lula 3 o fator Janja não permite que o presidente calce a sandália humildade e peça desculpas por ter atropelado a candidatura do ex-presidente do Senado.
FALTA CONSENSO NA IDA DE COUTO PARA O STJ - A vaga do ministro Saldanha Palheiro não seria destinada ao desembargador Ricardo Couto pelas conversas de bastidores do STJ. O racha entre os ministros fluminenses deixa o consenso cada vez mais difícil.
EFEITO COLATERAL DA ATUAÇÃO POLÍTICA DE ZANIN E LULA - A atuação dos ministros da cota de Lula no STF, Cristiano Zanin e Flávio Dino, agravou o clima de rejeição de mais um ministro lulista na corte. O caso da votação do processo sucessório do Rio foi uma fratura exposta da atuação do Planalto na decisão de enfraquecer a direita e evitar a passagem do governo estadual para opositores de Eduardo Paes. Depois que Quaquá, Eduardo Paes e Marcelo Freixo fazerem a cabeça de Lula, os dois ministros agiram em sintonia com o que queria o Planalto. Duas posições baseadas em uma grande coincidência.
O CASO MASTER NAS MÃOS DO GRANDE ALIADO DA CANDIDATURA DE MESSIAS AO STF - Teve gente da direita ficando de sorriso amarelo depois de comemorar intensamente a derrota da indicação de Jorge Messias, quando foi lembrado que o maior cabo-eleitoral do candidato era o ministro André Mendonça, relator do explosivo caso Master. Alguns dos algozes da candidatura do Advogado-Geral da União estão atolados até o pescoço no caso do banco. E se Mendonça resolver ser ainda mais implacável?
O CLIMA AZEDOU ENTRE ZANIN E DINO - O clima entre o grande apoiador de Jorge Messias no STF, ministro Cristiano Zanin, e Flávio Dino teria ficado tão azedo que precisou da intervenção do presidente Lula. Com a derrota do candidato, deve ser acompanhado com tensão o climão entre os dois ministros nas próximas semanas.
TURMA DE COUTO COM AS BARBAS DE MOLHO - A ala do STF que deseja manter o interventor judicial do Rio, Ricardo Couto, à frente do Governo contava com a chegada de Jorge Messias para a votação que está 4 x 1, para restabelecer os 11 votos do plenário. Com 10 votantes, o resultado fica incerto. O impacto da rejeição do Senado teve reflexo na turma que está na frente do governo fluminense, achando que tinha super poderes.
COLETIVA DE IMPRENSA DE PARTIDOS SOBRE A SUCESSÃO DO RIO GANHOU FORÇA - O adiamento da coletiva de imprensa dos líderes do Senado e Câmara dos partidos União Brasil, Progressistas e PL, defendendo o restabelecimento do respeito constitucional à sucessão do governo do Rio, se deu quando a contabilidade dos votos sobre a votação no plenário do Senado apontou a derrota do candidato do Governo.
Prevista para às 16 horas da histórica quarta, 29, foi transferida para terça, 05 de maio. Os partidos chegam fortalecidos para denunciar o desrespeito à Constituição. O Rio está no limbo jurídico, com um Governador Constitucional e um Interventor Judicial pendurado por uma liminar provocada pelo partido do candidato Eduardo Paes.