O Hospital PUC-Campinas informou que o Pronto-Socorro Adulto do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta um cenário de superlotação, e opera com ocupação de 360% acima da capacidade instalada. De acordo com a unidade, há atualmente 14 pacientes que necessitam de cuidados intensivos e outros 46 acomodados em macas nos corredores, reflexo da alta demanda por atendimento. A informação foi divulgada em nota à imprensa no início da noite da última sexta-feira (25).
Diante desse contexto, o hospital afirmou que não dispõe de condições seguras para receber novos encaminhamentos via SUS. Por isso, solicitou à Regulação Municipal a avaliação do direcionamento de pacientes para outras unidades de saúde, com o objetivo de garantir a continuidade e a segurança da assistência.
O Hospital PUC-Campinas também pediu apoio da imprensa para orientar a população a buscar atendimento em outros serviços da rede.
Saúde em alerta
A situação ocorre em meio a um cenário já pressionado no município. Nos últimos meses, reportagens têm apontado episódios recorrentes de superlotação em diferentes hospitais do município que atendem pacientes do SUS, indicando que a sobrecarga no atendimento não é pontual, mas persistente na rede. Além do Hospital da PUC-Campinas, o pronto-socorro do Hospital de Clínicas da Unicamp chegou a registrar 300% de ocupação.
Na Rede Mário Gatti, a ocupação dos leitos varia entre 95% e 100%. Além da situação dos hospitais, o Hospital Municipal Dr. Mário Gatti havia suspendido novas internações na UTI Adulto após a identificação de sete pacientes infectados pela bactéria multirresistente KPC. A ala estava passando por uma reforma desde março para ampliação do controle epidemiológico, em razão de um surto da bactéria. A suspensão foi anunciada no dia 10 de março. A rede informou que a UTI Adulto do Hospital Municipal Mário Gatti voltará a funcionar normalmente na próxima segunda-feira (27).
A rede pública de saúde de Campinas enfrenta um cenário de pressão em diferentes frentes, que vão desde falta de recursos até superlotação e problemas estruturais nas unidades.
O Hospital de Clínicas da Unicamp chegou a ficar 12 meses sem receber repasses do programa SUS Paulista, do governo estadual, acumulando déficit superior a R$ 100 milhões. A situação impactou o atendimento, com redução de cirurgias e consultas. Um repasse de R$ 38,4 milhões foi autorizado no fim de 2025, mas não cobre o valor devido.
Na atenção básica, também há dificuldades. Unidades registram falta de medicamentos, incluindo insulina, e falhas na distribuição. Centros de saúde enfrentam déficit de profissionais, sobrecarga de atendimento e até suspensão de serviços por problemas de segurança e estrutura.
Na atenção básica, centros de saúde também enfrentam dificuldades que afetam o atendimento à população. O Centro de Saúde Centro suspendeu atendimentos após episódios de violência, falta de médicos e superlotação, deixando mais de 12 mil pessoas sem assistência regular. Outras unidades apresentam problemas estruturais e de equipe: o CS Vila 31 de Março aguarda a construção de uma nova unidade, com obras paradas desde 2025; o CS Barão Geraldo opera com cerca de 30% menos profissionais do que o recomendado; e o CS Vila Ipê segue fechado para reforma ainda sem início, o que tem ampliado a demanda em serviços vizinhos.
O conjunto de fatores aponta para uma rede sob forte pressão, marcada por falta de leitos, profissionais e insumos, em meio à alta demanda por atendimento.
Ministério da Saúde
O investimento federal no Sistema Único de Saúde (SUS) em Campinas somou R$ 529,3 milhões em 2025, um aumento de 16,2% em relação a 2021, segundo nota do Ministério da Saúde enviada ao Correio da Manhã em 22 de março. Já o Teto Financeiro de Média e Alta Complexidade (MAC) alcançou R$ 311 milhões no mesmo ano, valor 11,3% maior do que o registrado em 2022. As informações foram enviadas após questionamento da reportagem sobre declaração do prefeito de Campinas, Dário Saadi, feita durante a 250ª reunião do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas (RMC), no último dia 18.
Com informações da assessoria de imprensa do Hospital da PUC-Campinas