A Unicamp acaba de adotar um conjunto de recomendações e regras que vão disciplinar o uso da inteligência artificial generativa (IAG) nas atividades acadêmicas e nos setores administrativos da Universidade. Uma deliberação composta por nove artigos define parâmetros gerais que precisam ser observados na utilização da ferramenta e os princípios éticos que devem orientar a ação.
A Inteligência Artificial Generativa é um ramo da inteligência artificial projetado para criar conteúdos, como textos, áudios, imagens, vídeos e até códigos de software. Essa tecnologia se baseia em modelos computacionais avançados, que aprendem padrões a partir de grandes volumes de dados (governo federal).
A partir de 18 de junho, a Diretoria Executiva de Tecnologia da Informação e Comunicação (Detic) permitirá acesso a um portal que tratará do uso da IAG nas áreas de ensino, pesquisa, extensão e setores administrativos. A página incluirá também um observatório que pretende discutir a tecnologia e seus impactos na educação e na sociedade. Além disso, a Detic distribuirá materiais informativos impressos sobre as regras para o uso da IAG na Universidade.
O diretor da Detic, Ricardo Dahab, chama atenção para alguns aspectos da regulamentação. “Um dos pontos principais é lembrar que IAG é uma ferramenta, e o ser humano é quem está no controle”, diz ele.
O coordenador do Centro de Referências em Tecnologias de IA (CrefIA) da Unicamp, Leonardo Tomazeli, diz que, entre as normas, está a orientação de informar expressamente se o conteúdo foi produzido com a ajuda de IA. “É preciso deixar claro que usou e como usou”, diz Tomazeli.
“Temos de atentar também para a ideia do uso ético da ferramenta, garantindo que não está amplificando um viés danoso em relação a determinado grupo ou a questões relacionadas à diversidade ou aos direitos humanos,” afirma.
A deliberação define que o uso de IA generativa na Unicamp deve atender aos princípios previstos nos estatutos da Universidade, garantindo a segurança da informação, a proteção de dados pessoais, a confidencialidade, a propriedade intelectual e a preservação da integridade acadêmica e administrativa.
A deliberação prevê ainda a responsabilização dos usuários quanto ao conteúdo gerado.
CrefIA
O CrefIA oferece apoio direto à comunidade interna em projetos, programas ou protocolos que envolvam o uso da IA na Universidade. Foi estruturado em quatro grandes eixos: capacitação e difusão da inteligência artificial na Universidade; apoio à governança e à regulação; infraestrutura e serviços; e uso de IA nos processos e práticas da Universidade.
Segundo Tomazeli o Centro tem planos de ampliar as conexões com outras universidades públicas – em especial as estaduais paulistas – no desenvolvimento de mecanismos que garantam o uso adequado da IAG.
Dahab, por sua vez, lembrou que a Detic “não tem mandato para discutir questões que vão além da tecnologia” e por isso defendeu a formação de um Conselho que teria como tarefa pensar o fenômeno de forma mais abrangente e aprofundada, levando em conta suas implicações nas atividades da Universidade. A proposta foi discutida na 195ª sessão do Conselho Universitário (Consu) em 31 de março.