O Trem Intermetropolitano (TIM), que ligará Jundiaí a Campinas, com paradas em Louveira, Vinhedo e Valinhos, deve adotar um modelo inédito de cobrança no transporte ferroviário regional: a tarifa por distância percorrida. A informação foi confirmada pela concessionária TIC Trens, responsável pelo projeto, em resposta a questionamentos da reportagem.
Segundo a concessionária, o TIM será o primeiro serviço ferroviário metropolitano do país a adotar a chamada tarifa quilométrica. Nesse modelo, o valor da passagem varia de acordo com a distância percorrida pelo passageiro, diferente do sistema tradicional de tarifa fixa praticado na maioria dos transportes urbanos.
A concessionária destacou, no entanto, que os valores ainda são estimativas iniciais definidas na fase de modelagem do projeto e poderão sofrer ajustes até o início da operação. No caso do Trem Intercidades (TIC), que fará o trajeto expresso até São Paulo, a tarifa de referência prevista em contrato é de R$ 64. O TIM percorrerá um trajeto de 44 quilômetros em 33 minutos.
Serviço regional deve sair antes do trem expresso
O TIM será o primeiro a entrar em operação dentro do projeto ferroviário. A previsão é que o serviço comece a funcionar antes do Trem Intercidades, já que ambos compartilham o mesmo corredor ferroviário.
As obras do TIM começaram há cerca de 20 dias e devem avançar antes das intervenções mais complexas do serviço expresso. A projeção de entrega do sistema é 2029.
Paradas, tempo de viagem e operação
O trem fará a ligação direta entre Campinas e Jundiaí, com paradas em Louveira, Vinhedo e Valinhos.
De acordo com a concessionária, o intervalo entre os trens deve ser de cerca de 15 minutos nos horários de pico, podendo variar conforme a demanda. O tempo estimado de viagem entre as duas cidades é de aproximadamente 33 minutos. Ao todo, sete trens estão previstos para operar o serviço.
Estações terão adaptações e reconstruções
O projeto prevê intervenções nas cinco estações do trajeto - Campinas, Jundiaí, Louveira, Vinhedo e Valinhos - todas com características históricas preservadas.
Em Campinas e Jundiaí, as estruturas existentes serão restauradas, enquanto a concessionária ficará responsável pela construção de novas plataformas para atender tanto o TIM quanto o TIC.
Já nas demais cidades, novas estações deverão ser construídas, com foco em acessibilidade e adequação às normas atuais de transporte.
Produção nacional e geração de empregos
Os trens que serão utilizados no TIM devem ser fabricados no Brasil, em unidade da empresa chinesa CRRC instalada em Araraquara, no interior paulista.
A produção nacional faz parte da estratégia do projeto de impulsionar a cadeia ferroviária e gerar empregos diretos e indiretos durante a fase de implantação.
Desapropriações viabilizam avanço do projeto
O avanço das obras também depende de desapropriações ao longo do traçado ferroviário. Segundo a TIC Trens, o processo é conduzido pelo governo do São Paulo, responsável por declarar de utilidade pública as áreas necessárias.
Em abril de 2026, foi publicada uma nova declaração que abrange terrenos nos municípios de Jundiaí, Vinhedo, Valinhos e Campinas, somando cerca de 37 mil metros quadrados destinados à implantação da via permanente.
Integração com o Trem Intercidades
O Trem Intermetropolitano faz parte do projeto mais amplo do Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte, que ligará Campinas à capital paulista com serviço expresso.
Enquanto o TIC será voltado a viagens de média distância, o TIM terá função regional, atendendo deslocamentos entre cidades vizinhas e ampliando as opções de mobilidade.