Por: Raquel Valli

Câmara de Campinas (SP) pede terreno para construir sede de R$ 30 milhões e é criticada

Fachada da entrada principal do Poder Legislativo campineiro, no bairro da Ponte Preta | Foto: Câmara Municipal de Campinas

O presidente da Câmara, Luiz Rossini (Republicanos-SP), encaminhou um ofício à Prefeitura solicitando a destinação de uma área de cerca de 9 mil m² no São Bernardo - bairro onde fica a cadeia de Campinas - para a construção de uma sede para o Legislativo.

O Plano Plurianual do município, aprovado em 2025, prevê cerca de R$ 30 milhões para a obra. Com este montante, seria possível, por exemplo, construir aproximadamente 230 casas populares em bairros como o Cidade Satélite Íris.

A proposta de Rossini é criticada pela população e por um ex-vereador de Campinas, que economizou mais de R$ 1 milhão dos cofres públicos municipais e pela população (leia mais abaixo). 

Já a previsão de conclusão da nova sede da Câmara é para 2031 - desde que a Prefeitura aceite ceder a área para uso do Legislativo.

O terreno fica entre as ruas Reverendo Orlando Galzo e a Avenida João Batista Morato do Canto, e é usado como garagem para caminhões que realizam serviços ao Executivo.

Segundo a proposta, a escolha da área se baseia em análises da equipe técnica da Câmara, que identificou o local como estratégico devido à proximidade com o Centro e à facilidade de acesso para a população por meio de transporte público. Ainda de acordo com a proposição, o local permitiria uma integração ágil com a Prefeitura.

O texto cita que São Bernardo há equipamentos públicos, como centro de esporte e de saúde, assim como a unidade do Instituto de Previdência Social do Município de Campinas (Camprev). Destaca que o terreno possui uma frente estruturada que favorece a acessibilidade, a fluidez do tráfego e a realização de eventos públicos, além de permitir a valorização da fachada institucional e a criação de uma praça.

Rossini justifica ainda que a atual sede foi construída em 1973 e já se encontra próxima do limite de vida útil, especialmente no que diz respeito às estruturas e às instalações prediais que apresentam sinais de obsolescência.

Ressalta que, com o crescimento das atividades legislativas e administrativas ao longo das décadas, foram adicionadas edificações anexas para suprir demandas emergenciais, mas o resultado atual é um conjunto com limitações de articulação funcional, dificuldades de circulação entre os blocos e uma manutenção predial de alta complexidade.

Críticas

Para o arquiteto e urbanista Paulo Gaspar, ex-vereador de Campinas, conhecido por defender os recursos públicos com austeridade, "não existe a mínima necessidade de mudança de prédio", já que a proposta "tem haver apenas com os delírios corporativistas dos vereadores de Campinas".

Gaspar recusou os recursos disponíveis para todas as regalias de gabinete, abrindo mão de todos os privilégios do mandato, tais como carro oficial, combustível, auxílio correio, material de escritório, material gráfico para diplomas e medalhas, além de manter um número restrito de assessores e de não ter cargos na cota do Poder Executivo.

"Todas as justificativas feitas pelo presidente da Câmara são desculpas esfarrapadas sem lastro nenhum com a realidade" porque "essa proposta de mudança é mais uma tentativa de queimar o dinheiro do contribuinte campineiro", destaca.

Ainda de acordo com o ex-parlamentar, "a mudança da Câmara Municipal para a Ponte Preta em 2006 (devido a uma reforma) já foi um erro gravíssimo, pois ela nunca deveria ter saído da região central".

Na época, ele propôs a instalação da Câmara no Palácio da Justiça, no Centro, e o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo liberou a mudança, que nunca foi feita. O motivo, segundo o urbanista, foi que "os vereadores não quiseram perder as mordomias, preferindo ficar longe da população".

Para a repositora de supermercado Renata Oliveira, a proposta é indecente. "Essas pessoas sabem o que está acontecendo em Campinas? Já entraram no Mário Gatti? Elas andam pelo Centro? Em que mundo essas criaturas vivem? No do povo, que paga imposto suado, é que não é".