Hospitais que atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Campinas enfrentam cenário de superlotação, com unidades operando acima da capacidade e pressão sobre o atendimento. Dados recentes apontam que o pronto-socorro do Hospital de Clínicas da Unicamp chegou a registrar 300% de ocupação, enquanto o hospital da PUC-Campinas apresenta 345% de ocupação, sendo 39% doa pacientes atendidos nos corredores.
Na rede municipal, administrada pela Rede Mário Gatti, a ocupação dos leitos varia entre 95% e 100%. Segundo a administração, nenhum paciente que necessita de internação fica sem assistência, já que as unidades operam em sistema de “porta aberta”.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou, por meio do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas, que acompanha a situação dos hospitais e realiza a regulação de pacientes para garantir o atendimento na região. De acordo com o órgão, foi anunciado um chamamento público para a contratação de 2.760 procedimentos mensais, incluindo cirurgias, internações e leitos de UTI, com investimento de R$ 4,2 milhões por mês.
Ainda segundo o Estado, também foram inaugurados 10 novos leitos de UTI em Pedreira neste mês, e há previsão de ampliação da estrutura regional com a construção do novo Hospital Estadual de Campinas, além da implantação do Hospital Santa Clara, que deve contar com 150 leitos.
A rede municipal destaca que Campinas é referência em urgência e emergência para cidades da região, o que impacta diretamente na demanda. De acordo com a Prefeitura, entre 20% e 25% dos atendimentos do SUS municipal são destinados a pacientes de outros municípios.
Enquanto aguardam vagas para internação, pacientes permanecem em áreas de observação dos prontos-socorros, onde recebem atendimento até a liberação de leitos. A administração afirma que a Central de Regulação atua continuamente para redistribuir os pacientes conforme a complexidade dos casos e a capacidade de cada unidade.
Mesmo com investimentos e ampliação gradual da rede nos últimos anos, o cenário atual evidencia a pressão sobre o sistema público de saúde na região, especialmente diante da alta procura por atendimentos de média e alta complexidade.