Uma protetora de animais, com mais de 20 anos de atuação em Campinas (SP), afirma ter encontrado impeditivos para tentar adotar um gato idoso no Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal (DPBea) da Prefeitura.
Segundo a denúncia, o impedimento de acesso físico à unidade em 20 de fevereiro inviabilizou a escolha direta do animal e a consequente destinação a um adotante previamente selecionado.
“Eu tava com uma ótima adotante para um gato, o mais velho que eu conseguisse encontrar. Fui lá, mas não foi permitida a minha entrada, porque eu sei a situação precária de lá”, afirma Sandra Grace, a San.
“Eu queria ajudar. Só que aí falaram que não era possível eu visitar, que eu teria que entrar no site e escolher o gato por lá. Só que isso não é possível, né? A gente que trabalha com gato, a gente tem que ver, né?”, declara.
“Eu poderia ter dado a oportunidade de um gato, que mora lá, de ter tido uma família, ter uma nova chance. Por acaso, eu tinha esse adotante, que queria adotar o gato mais velho, só que não foi permitido”, lamenta.
Questionada pelo Correio da Manhã, a Prefeitura informou que o nome de Sandra Grace não consta nos registros de visita da data mencionada e ressaltou a realização de feiras de adoção quinzenais no Centro de Convivência, no Cambuí, onde interessados passam por entrevista e orientações profissionais sobre posse responsável.
A protetora Marynes Silva, do Abrigo Adorável Vira-Lata (avlcps), questionou a ausência do registro oficial do nome da colega. “Como é que o nome dela estaria nos registros se ela foi impedida de entrar? Meu nome também nunca consta nos registros, porque acontece a mesma coisa com todos os protetores”, disse.
Marynes sustenta que as feiras não contemplam os animais em situação de maior vulnerabilidade, que são justamente os que mais precisam de adotantes. "É só pra inglês ver. Todo mundo sabe o que acontece lá dentro, e é por isso, que eles não nos deixam mais entrar. Várias e várias denúncias foram feitas ao Ministério Público, que pediu solução várias vezes, até que o MP teve que entrar com ação porque só maquiagem era feita”, pontuou.
Relembre o caso
O MP ingressou com uma ação civil pública contra o município por irregularidades operacionais, sanitárias e de infraestrutura, incluindo superlotação e falta de assistência veterinária contínua.
Já a Administração municipal declarou que apresentará defesa legal e destacou a conclusão da primeira fase de reformas no departamento, com novas instalações para gatis, canis e ambulatório.
A gestão também citou o contrato firmado com a Clínica Veterinária da PUC-Campinas, em vigor desde 17 de março, que já atendeu 70 animais. Em 2026, até o início de abril, o órgão contabilizou 171 resgates e 31 adoções, enquanto o balanço de 2025 registrou 836 resgates e 206 adoções.