A Secretaria de Saúde de Campinas passa a oferecer a vacina contra o HPV (Papilomavírus Humano) para mulheres diagnosticadas com Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) de alto grau e adenocarcinoma in situ (AIS) que estejam no período de tratamento cirúrgico para retirada de lesões no colo do útero. A medida segue orientação do Ministério da Saúde e amplia a proteção de mulheres com maior risco de recorrência da doença.
Mulheres de todas as idades tratadas por lesões no colo do útero de alto grau podem ser imunizadas no período antecedente à operação ou até 12 meses depois do tratamento. O esquema completo prevê três doses aplicadas dois e seis meses após a primeira administração.
A vacinação será realizada mediante prescrição médica e registro do diagnóstico com o CID correspondente. Mulheres nessa situação devem procurar um centro de saúde do município com a documentação médica em mãos.
"Mulheres que passaram por cirurgia para tratamento de lesões no colo do útero têm um risco maior de que a doença volte. A vacina contra o HPV oferece uma camada adicional de proteção para esse grupo e agora está disponível gratuitamente pelo SUS em Campinas", afirma Chaúla Vizelli, coordenadora do Programa de Imunização de Campinas.
Por que se vacinar
Mulheres tratadas por NIC 2 e 3 têm risco elevado de que a doença volte ao longo da vida, inclusive com o desenvolvimento de câncer cervical invasivo. Estudos mostram taxas de recorrência de até 17% após esse tipo de cirurgia. A vacinação reduz significativamente esse risco.
O HPV é responsável pela maioria dos casos de câncer do colo do útero e está associado também a cânceres de vulva, vagina, região anal, pênis e orofaringe. No Brasil, são cerca de 17 mil novos casos de câncer cervical e 7 mil mortes por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Adolescentes e jovens também podem se vacinar
A vacina contra o HPV também é disponibilizada para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Durante o primeiro semestre de 2026, a imunização foi estendida para jovens de 15 a 19 anos que não foram vacinados na idade recomendada, como parte de uma estratégia de resgate vacinal.
Como se vacinar
A vacina contra o HPV está disponível nos centros de saúde do município. Endereços e horários de funcionamento estão disponíveis no link: campinas.sp.gov.br/secretaria/saude/pagina/centros-de-saude .
Vacina contra o HPV: a melhor e mais eficaz forma de proteção contra o câncer de colo de útero
Cerca de 20% dos cânceres humanos são causados por vírus – e destes, 50% são provocados pelo papilomavírus humano (HPV, na sigla em inglês). Existem mais de 150 tipos conhecidos desse vírus, sendo a maioria inofensiva.
O HPV, especificamente dois deles: tipo 16 e tipo 18, está envolvido em quase 100% dos casos de câncer de colo de útero, também chamado de câncer cervical, mas também pode levar a outros tipos de câncer, como anal, de vulva, de vagina, de pênis e de orofaringe.
O câncer de colo do útero é uma doença grave e pode ser uma ameaça à vida. É o segundo tipo de câncer mais frequente em mulheres que vivem em regiões em desenvolvimento.
Em 2018, cerca de 72 mil mulheres foram diagnosticadas com câncer de colo de útero e 34 mil morreram pela doença nas Américas. Mundialmente, mata mais de 300 mil mulheres por ano, sendo 80% em países de baixa e média renda – números alarmantes, especialmente considerando que existe uma forma eficaz de prevenção.
Esse tipo de câncer começa quando a mulher contrai alguns tipos de papilomavírus humano, que podem fazer com que as células normais do revestimento do colo do útero se tornem anormais ou lesões pré-cancerosas. Essas lesões são geralmente detectadas no exame de Papanicolau e, se não forem tratadas, podem se tornar cancerosas.
Estima-se que haja entre 9 e 10 milhões de pessoas infectadas pelo HPV no Brasil e que surjam 700 mil novos casos de infecção por ano.
Estudos indicam que cerca de 80% da população sexualmente ativa deve ser infectada pelo vírus em algum momento de sua vida. Além disso, não existe um tratamento específico contra o HPV e ainda que sejam tratáveis, as lesões provocadas pelo vírus podem evoluir para doenças graves.
A transmissão ocorre por via sexual e pode acontecer mesmo sem penetração.
Sintomas:
A principal característica do câncer causado por HPV é que ele demora muitos anos para se desenvolver e depende de uma infecção viral persistente.
As primeiras manifestações surgem entre, aproximadamente, 2 a 8 meses, mas pode demorar até 20 anos para aparecer algum sinal da infecção que, na maioria dos casos, é assintomática.
A doença pode causar lesões genitais que costumam aparecer como verrugas irregulares, da cor da pele, dentro ou fora dos genitais de homens e mulheres – na vulva, vagina, colo do útero, região perianal, ânus, pênis (geralmente na glande), bolsa escrotal e região pubiana. Menos frequentemente, é possível aparecerem em áreas extragenitais, como conjuntivas, mucosa nasal, oral e laríngea.
Podem doer, coçar, sangrar e causar desconforto. Às vezes, voltam depois do tratamento.
Bebês também podem ser infectados no momento do parto e desenvolver lesões verrucosas nas cordas vocais e laringe.
Prevenção e controle:
A melhor forma de prevenir é usar camisinha nas relações sexuais e se vacinar – o imunizante é distribuído gratuitamente pelo SUS. Vale ressaltar, porém, que o preservativo não impede totalmente a infecção pelo HPV, já que as lesões podem estar presentes em áreas não protegidas pela camisinha.
O exame preventivo de Papanicolau, para mulheres, também é uma forma de prevenir lesões que causam o câncer de colo do útero.
A meta do Ministério da Saúde é vacinar 80% da população elegível, mas os números estão abaixo do esperado no Brasil, pois mesmo com a disponibilidade da vacina, o índice de vacinação contra o HPV de meninas brasileiras atinge apenas 57% e, nos meninos, não chega a 40%, sendo que o ideal para prevenir a doença é uma cobertura de 90%.
O principal motivo da baixa procura pela vacina é a desinformação, com questionamentos infundados sobre a eficácia e a segurança do imunizante, associações equivocadas entre HPV e religião e a falta de campanhas de vacinação.
Desde 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalha com a meta de eliminar o câncer de colo de útero e o classifica como um problema de saúde pública mundial.
Até 2030, é esperado que:
– 90% das meninas estejam vacinadas aos 15 anos de idade;
– 70% das mulheres sejam rastreadas com um teste de alta qualidade aos 35 anos e, novamente, aos 45;
– 90% das mulheres diagnosticadas com câncer de colo de útero estejam em tratamento.
A vacina contra o HPV foi desenvolvida em 2006, na Austrália, e integra os programas de imunização de mais de 50 países. No Brasil, é produzida pelo Instituto Butantan e protege contra o HPV de baixo risco, tipos 6 e 11, que causam verrugas anogenitais, e de alto risco tipos 16 e 18, que causam câncer de colo uterino, de pênis, anal e oral.
A indicação é que a vacinação ocorra antes do início da vida sexual, para que homens e mulheres estejam protegidos do vírus desde as primeiras relações e não o transmitam para seus parceiros e parceiras.
A vacina contra o vírus HPV recombinante deve ser administrada por suspensão injetável e a orientação é que seja aplicada em três doses:
– 1ª Dose;
– 2ª Dose: dois meses após a primeira;
– 3ª Dose: seis meses após a primeira.
Quem pode se vacinar:
– A vacina é indicada para meninas e mulheres de 9 a 26 anos de idade e meninos de 9 a 14 anos. A imunização deve acontecer, preferencialmente, entre 9 e 14 anos, quando é mais eficaz, segundo o Ministério da Saúde;
– Pessoas com HIV positivo;
– Pessoas transplantadas na faixa etária de 9 a 45 anos.
Obs.: A vacina papilomavírus humano 6, 11, 16 e 18 (recombinante) não deve ser aplicada se a pessoa for alérgica a qualquer um dos componentes da vacina ou se sofrer alguma reação alérgica após receber uma dose.
Com informações da Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde e Prefeitura de Campinas.