O início das obras do Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte, que ligará Campinas a São Paulo, marca a retomada oficial do transporte ferroviário de passageiros paulista sob o pressuposto técnico da previsibilidade operacional. A estimativa é reduzir o tempo de deslocamento entre as cidades, especialmente no horário de pico, oferecendo uma alternativa para a população que se desloca diariamente entre as duas regiões.
Isso porque, diferente do modal rodoviário, que é vulnerável a variáveis externas como acidentes, veículos quebrados e condições climáticas, o trem dispõe de horários fixos e trajetos imunes aos congestionamentos habituais.
"Será da maior importância. Quem usa o eixo da Autoban, a Anhanguera-Bandeirantes, entre Campinas e São Paulo, sabe o sofrimento que é. Você tem que fazer alguma atividade em São Paulo, dar uma aula, assistir a uma aula, ir a algum médico, e, em geral, sempre para ali na altura do rodoanel. E, do rodoanel você nunca sabe a hora que você vai chegar, pegando ainda o congestionamento na marginal", explana o mestre em planejamento urbano Ayrton Camargo e Silva, professor da PUC-Campinas.
Já "o TIC é um sistema previsível, e isso é fundamental. O sistema rodoviário nunca oferece previsibilidade nenhuma. Há sempre um buraco na frente, um carro que quebra, um acidente, uma condição climática diversa. Então, já passou da hora das duas maiores regiões metropolitanas da América Latina, que são São Paulo e Campinas, estarem conectadas de maneira definitiva para um sistema confiável", acrescenta o ex-presidente da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas S/A) - autarquia que gerencia e o trânsito, o transporte público (ônibus, táxis, escolares, cargas) e a mobilidade urbana campineira.
Resgate
O projeto resgata a conectividade sobre trilhos entre as regiões metropolitanas após décadas de dependência exclusiva do sistema rodoviário. A ligação ferroviária remonta a 1867, mas foi interrompida por políticas de transporte adotadas na década de 1990. Entre as memórias do sistema anterior destaca-se o Trem Húngaro, que operava o trajeto entre a Estação da Luz e Rio Claro com parada em Jundiaí.
O serviço realizava o percurso entre a capital paulista e Campinas em 1 hora e 20 minutos, 10 minutos a menos do que o gasto no transporte por ônibus. Além disso, o acesso centralizado pela Estação da Luz oferecia vantagem logística em comparação ao Terminal Rodoviário do Tietê.
Por isso, o diretor-presidente da TIC Trens, Paulo Moro, pontua que “este é um momento aguardado há décadas e marca um avanço na mobilidade do Brasil, de forma moderna e com padrões inéditos no país”.
Trem Intercidades
Será o primeiro de média velocidade do Brasil, operando a 140 km/h para ligar São Paulo a Campinas em 64 minutos a partir de 2031, com assentos marcados e espaços para bagagens. O projeto inclui o Trem Intermetropolitano (TIM), serviço parador previsto para 2029 que conectará Jundiaí a Campinas com paradas em Louveira, Vinhedo e Valinhos, além da modernização da Linha 7-Rubi como base operacional.
A implementação do Eixo Norte beneficiará 672 mil passageiros diariamente em 11 municípios, consolidando a integração definitiva entre as metrópoles.
Início das Obras
As primeiras intervenções ocorrem em Vinhedo, e as frentes de trabalho serão implantadas de forma faseada. Avançarão de forma gradual, inicialmente no trecho entre Campinas e Jundiaí e, em etapa posterior, em direção à capital.
A primeira fase inclui a instalação do canteiro de obras e áreas de apoio, preparação do terreno, terraplenagem, contenções e a implantação de uma passagem inferior à ferrovia, destinada à transposição de veículos a remoção de interferências.