Por: Redação

Professora é solta e Unicamp abre sindicância por furto em laboratório

Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar o crime | Foto: Antonio Scarpinetti/Unicamp

A Reitoria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) instaurou uma sindicância interna para apurar o furto de material de pesquisa ocorrido no Instituto de Biologia da instituição. O caso, que mobiliza autoridades federais e órgãos de vigilância sanitária, envolve a manipulação de material biológico sensível e segue sob investigação. A pesquisadora chegou a ser levada à Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu após a prisão em flagrante, mas teve liberdade provisória concedida pela Justiça Federal na terça-feira (24), após audiência de custódia.

O crime teria ocorrido no último fim de semana. Na segunda-feira (23), a Polícia Federal prendeu em flagrante a professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp. Ela é apontada como suspeita de retirar amostras do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia.

Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, e o material foi localizado em espaços utilizados pela docente. As amostras, posteriormente identificadas como vírus, foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise. A ação contou com apoio técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A pesquisadora chegou a ser levada à Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu, mas teve liberdade provisória concedida pela Justiça Federal na tarde de terça-feira (24). Na decisão, o conteúdo das amostras, até então mantido sob sigilo, foi descrito como vírus, o que reforça a gravidade potencial do caso.

O laboratório de onde o material foi retirado opera com níveis 2 e 3 de biossegurança (NB-2 e NB-3). Isso significa que está habilitado a manipular agentes com risco moderado a alto para o indivíduo e potencial de disseminação controlada na comunidade, exigindo protocolos rigorosos de segurança.

Segundo a Polícia Federal, a docente pode responder por furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado. As investigações buscam esclarecer as circunstâncias da retirada do material, bem como eventual risco à saúde pública.

De acordo com informações institucionais, Soledad Palameta Miller atua na área de virologia aplicada a alimentos, com pesquisas voltadas à vigilância epidemiológica e ao desenvolvimento de diagnósticos e terapias para vírus transmitidos por água e alimentos. Ela também já participou de projetos no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), com foco em engenharia de vetores virais e desenvolvimento de terapias.

Em nota, a Unicamp informou que abriu sindicância para apurar o caso e que colabora com as autoridades. A universidade destacou ainda que a apuração ocorre sob sigilo, para não comprometer o andamento das investigações.