Campinas está entre as 30 cidades brasileiras selecionadas para acelerar projetos de ação climática no país por meio do Programa Mutirão Brasil, iniciativa vinculada à agenda da COP30 e liderada por redes globais de cidades.
A C40 Cities e o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCoM) anunciaram as primeiras 34 cidades e dois estados do Brasil selecionados para receber apoio técnico e de estruturação financeira para projetos de ação climática no âmbito do Programa Brasil Mutirão. Os projetos selecionados focam principalmente em mobilidade urbana, gestão de resíduos e orçamento climático, com 11 cidades na região amazônica, ressaltando seu papel central na agenda climática do Brasil após a COP30. Seis dessas cidades amazônicas também receberão apoio para desenvolver Planos de Ação Climática.
A iniciativa é conduzida pelas redes internacionais C40 Cities e Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia, com apoio da Bloomberg Philanthropies, e foi anunciada nesta terça-feira (24), durante a 89ª Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos, realizada em Curitiba.
O anúncio foi feito durante a Assembleia Geral da Frente Nacional de Prefeitos em Curitiba. De modo geral, o programa reflete a diversidade do território brasileiro, reunindo cidades de diferentes portes e regiões geográficas, abrangendo 19 estados do país. Entre as cidades selecionadas estão Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte e Belém, sede da COP30 no ano passado. Dois estados também foram selecionados: Pernambuco e Rio Grande do Sul.
A participação coloca o município em um grupo estratégico que receberá apoio técnico para estruturar políticas públicas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas, com foco na integração entre planejamento, orçamento e sustentabilidade.
Segundo a Prefeitura de Campinas, a cidade foi escolhida para a frente de Orçamento Climático, uma das áreas prioritárias do programa. Na prática, isso significa que o município contará com consultoria especializada, capacitação de equipes e acesso a dados e experiências internacionais para alinhar os gastos públicos a metas ambientais. A assessoria técnica será realizada entre março de 2026 e abril de 2027.
De acordo com o prefeito Dário Saadi, a adesão ao programa representa um avanço na política ambiental do município. “Campinas tem assumido um compromisso cada vez mais concreto com a agenda climática, e a participação no Programa Mutirão Brasil representa um passo importante para transformar planejamento em ação. O orçamento climático nos permite integrar todas as áreas da administração em torno de metas comuns”, afirmou.
Única não capital na lista
Campinas se destaca por ser a única cidade que não é capital estadual entre as selecionadas para essa frente específica. Ao lado do município paulista, participam capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza e Recife.
A seleção ocorreu após um processo competitivo que reuniu mais de 150 propostas de cidades e estados brasileiros. No total, 34 municípios e dois estados foram escolhidos nesta primeira fase do programa, que pretende apoiar mais de 50 entes federativos até meados de 2027.
Programa integra estratégia da COP30
O Programa Mutirão Brasil foi lançado em novembro do ano passado durante o Fórum de Líderes Locais da COP30, no Rio de Janeiro, como parte de um esforço para transformar compromissos climáticos em ações concretas nos territórios.
A proposta se baseia no conceito de “mutirão”, incentivando a cooperação entre governos locais, estaduais e federal, além de organizações internacionais, para viabilizar projetos com impacto direto nas cidades.
Entre as áreas prioritárias estão mobilidade urbana sustentável, gestão de resíduos, finanças climáticas, acesso a dados e desenvolvimento de planos de ação climática — especialmente em municípios da Amazônia.
Segundo as organizações responsáveis, o programa busca fortalecer a chamada governança multinível, integrando políticas públicas em diferentes esferas e ampliando a capacidade de implementação de soluções climáticas.
Projetos com impacto direto nas cidades
As iniciativas previstas incluem ações como a implantação de ônibus elétricos, expansão de infraestrutura cicloviária, criação de corredores exclusivos para transporte público e projetos de requalificação urbana. Na área de resíduos, estão previstas medidas para tratamento de milhares de toneladas de lixo orgânico, com potencial de reduzir significativamente a emissão de gases como o metano.
No eixo de orçamento climático — no qual Campinas está inserida — o foco é incorporar critérios ambientais no planejamento financeiro das cidades, garantindo que investimentos públicos considerem metas de redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas.
Esse modelo permite, por exemplo, que áreas como transporte, habitação e saneamento sejam planejadas de forma integrada, com impacto positivo tanto no meio ambiente quanto na qualidade de vida da população.
Papel estratégico das cidades
A iniciativa reforça o protagonismo dos municípios no enfrentamento da crise climática. De acordo com lideranças internacionais envolvidas no programa, é nas cidades que grande parte das soluções pode ser implementada de forma mais rápida e eficaz.
A CEO da COP30, Ana Toni, destacou que a ação local é decisiva. Segundo ela, a articulação entre diferentes níveis de governo, com base em dados e soluções já testadas, pode acelerar a implementação de políticas climáticas em escala.
O programa também está alinhado à Coalizão para Parcerias Multinível de Alta Ambição (CHAMP), iniciativa global que busca fortalecer a cooperação entre governos nacionais e locais. O Brasil, que sediará a COP30, atua como co-presidente da coalizão ao lado da Alemanha.
Expectativa para Campinas
Com a participação no Mutirão Brasil, a expectativa é que Campinas avance na consolidação de uma política climática mais estruturada, com metas claras e integração entre diferentes áreas da administração pública.
A adoção do orçamento climático pode representar uma mudança significativa na forma como os recursos municipais são planejados e executados, incorporando critérios ambientais de forma permanente.
Além disso, o acesso a redes internacionais e a troca de experiências com outras cidades pode ampliar a capacidade técnica do município e acelerar a implementação de soluções sustentáveis.
A inclusão de Campinas no programa também reforça o papel de cidades de médio porte no enfrentamento das mudanças climáticas, mostrando que a agenda ambiental não se restringe às capitais e pode ser liderada por diferentes perfis de municípios.