A vereadora Guida Calixto (PT-SP) registrou um boletim de ocorrência denunciando ameaças, vandalismo e assédio sexual contra as assessoras dela. Além disso, utilizou a tribuna da Câmara na última sessão, na quarta-feira (19), para denunciar a invasão do gabinete que utiliza. Sustenta que está sendo perseguida por um grupo extremista após propor a lei de combate ao feminicídio em Campinas.
As agressões, segundo a parlamentar, começaram após a apresentação da proposta que institui o Pacto Municipal de Enfrentamento ao Feminicídio. "A preocupação deles é essa. O medo é que seja colocada tornozeleira eletrônica no agressor. Eles querem proteger esses homens feminicidas."
Ainda de acordo com a vereadora, duas assessoras foram abordadas e perseguidas na última segunda-feira (16) em uma praça por um grupo de homens simpatizantes do movimento "Red Pill", e, desde então, a escalada de violência se intensificou.
"Passei a ser ameaçada e perseguida por um grupo de homens bolsonaristas, machistas, misóginos, que odeiam as mulheres", declara. A situação atingiu o ápice com a invasão do gabinete por duas vezes: uma na terça-feira (17) e outra na quarta (18), minutos antes do início da sessão legislativa.
Ainda segundo a denúncia, os invasores filmaram e constrangeram as assessoras, que também relataram terem sido vítimas de assédio sexual por parte de outro indivíduo na Praça da Catedral, no Centro, onde o mandato instalou uma mesa com folhetos.
"Eu não tenho medo de canalha. Sou uma mulher negra, nascida na periferia, e sei muito bem os perigos que uma mulher sofre. Eu vou até as cabeças com quem está perseguindo o meu mandato", declarou.
"Nós já enviamos um pedido para a presidência solicitar os dados dessas pessoas. Eles disseram na recepção que iriam ao gabinete do vereador Benê Lima (PL-SP), mas recebi informações de que são ligados ao gabinete do vereador Vini (Cidadania-SP)", afirmou a vereadora, que reforçou a necessidade de investigação independente das ligações políticas dos agressores.
Calixto identificou publicamente os acusados como Miqueias Ferreira Pereira, Eric Brennelli e Israel Júnior.
O outro lado
O vereador Benê Lima (PL-SP) defendeu o livre acesso da população às dependências da Câmara, já que a casa é pública e mantida pelos cidadãos. Segundo o parlamentar, não existe base legal para proibir a entrada de indivíduos que não possuam medidas protetivas judiciais, especialmente durante o horário das sessões ordinárias.
Ainda de acordo com o parlamentar, os envolvidos no episódio frequentam o Legislativo e estiveram no local para procurar o vereador, que cumpria agenda em São Paulo no momento da visita.
Benê reforçou que não incentiva nenhum tipo de ação contra outros parlamentares e que o controle da circulação de pessoas nos corredores após a saída dos gabinetes é responsabilidade exclusiva da segurança institucional da Casa.
Reitera que o gabinete não pode ser responsabilizado pela conduta de cidadãos em outras áreas da Câmara, cabendo aos agentes de segurança a remoção de qualquer pessoa que cause tumulto ou perturbação durante os trabalhos legislativos.
Já o Legislativo Municipal informou que condena qualquer tipo de agressão, física e moral, principalmente contra as mulheres. “A denúncia é muito grave, e a Câmara está à disposição para ajudar na investigação. Caso o Judiciário conceda a medida protetiva de urgência, os acusados serão impedidos de entrar no prédio”, pontua a nota.
O Correio da Manhã entrou em contato também com Vini Oliveira (Cidadania-SP), que afirmou que os citados não foram autorizados e tampouco frequentaram o gabinete na data mencionada. "Como vereador conservador e de direita, reafirmo meu compromisso com a lei, a ordem e o respeito às pessoas. Não compactuo com qualquer forma de violência. Trata-se de um caso envolvendo uma mulher, o que torna a situação ainda mais sensível. Defendo que tudo seja devidamente apurado, com transparência e responsabilidade, pelos órgãos competentes e, sendo confirmadas irregularidades, que as medidas legais sejam aplicadas”.