Por: Moara Semeghini - Campinas

Reunião da RMC confirma início de obras do Trem Intercidades para março e reforça anúncios feitos sobre saúde e o projeto

A 250ª reunião do Conselho de Desenvolvimento da RMC foi presidido pelo prefeito de Campinas, Dário Saadi | Foto: Fernanda Sunega/Prefeitura de Campinas

A 250ª reunião do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas (RMC), realizada nesta quarta-feira (18), teve como principal atualização a confirmação de que as obras do Trem Intercidades começam ainda em março. O diretor-presidente da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), André Isper, afirmou que a data para que as obras comecem é dia 27 de março, na próxima semana. "Talvez um ou dois dias a mais, ou a menos, ainda este mês", disse.

O encontro reuniu prefeitos da região e representantes do governo do estado de São Paulo e teve como principais pautas o Trem Intercidades e a ampliação de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS).

No entanto, a maior parte dos pontos apresentados já havia sido comunicada previamente por autoridades estaduais e municipais, nas áreas da saúde e mobilidade, com poucas novidades em relação ao que vinha sendo divulgado nas últimas semanas.

A confirmação do início das obras foi feita pelo presidente da concessionária TIC Trens, Pedro Moro, e pelo diretor-presidente da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), André Isper, durante o encontro presidido pelo prefeito de Campinas, Dário Saadi.

Na área da saúde, o governo estadual reiterou a previsão de publicar, em breve, um chamamento público para a contratação de 2.760 procedimentos mensais - entre cirurgias, internações e leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) - na região de Campinas. A pauta foi apresentada pelo diretor do Departamento Regional de Saúde (DRS VII), Jorge Carlos Machado Curi, e prevê a ampliação de leitos do SUS nas áreas de clínica médica, cirurgia e terapia intensiva.

Trem Intercidades: início das obras confirmado para março

No caso do Trem Intercidades, a principal atualização foi a confirmação do início das obras ainda neste mês. A informação foi apresentada por representantes da concessionária TIC Trens e da Artesp.

A antecipação, porém, já havia sido solicitada no início de março pela concessionária ao governo estadual, como noticiado anteriormente. À época, a empresa aguardava autorização do Palácio dos Bandeirantes para iniciar as intervenções no trecho existente entre Campinas e Jundiaí.

Com a reunião, o governo confirmou o início das obras, o que representa uma atualização pontual no cronograma, sem alteração estrutural do projeto.

O Trem Intercidades prevê a ligação entre Campinas e São Paulo em cerca de 64 minutos, com velocidade de até 140 km/h e operação estimada para 2031.

Saúde: medidas já anunciadas são reiteradas

Na área da saúde, a reunião reforçou ações já anunciadas pelo governo estadual nos últimos dias, em meio à crise de superlotação da rede hospitalar da região.

Entre os pontos destacados estão: o chamamento público para contratação de atendimentos e leitos, incluindo até 100 vagas na Casa de Saúde de Campinas; a previsão de publicação do edital para construção do Hospital Metropolitano; a ampliação de 10 leitos de UTI no município de Pedreira.

Essas medidas já haviam sido divulgadas anteriormente pela Secretaria de Estado da Saúde. O chamamento público, por exemplo, foi anunciado no último dia 13, com previsão de 2.760 procedimentos mensais e investimento de R$ 4,2 milhões.

A ampliação de leitos em Pedreira e o avanço do Hospital Metropolitano também vinham sendo informados desde o início do mês. No caso do hospital, um decreto de formalização do terreno foi assinado em 7 de março, mas a obra ainda depende da publicação do edital de licitação.

Rede segue sob pressão

A reafirmação das medidas ocorre em um contexto de forte pressão sobre o sistema de saúde da região.

Levantamentos recentes indicam que o Hospital de Clínicas da Unicamp opera com 394% de ocupação na Unidade de Emergência Referenciada (UER) adulto. O pronto-socorro do Hospital PUC-Campinas chegou a registrar 365% de ocupação, enquanto os hospitais municipais Mário Gatti e Ouro Verde trabalham próximos da capacidade total.

A situação se agravou após o fechamento temporário da UTI adulto do Hospital Municipal Mário Gatti para novas internações, após a identificação de pacientes com a bactéria multirresistente KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase).

A Prefeitura de Campinas confirmou, na tarde da última segunda-feira (16), mais dois casos de infecção pela superbactéria em pacientes internados na UTI adulto do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti. Com os novos registros, sobe para nove o número de pacientes diagnosticados com o microrganismo na unidade. Segundo a rede hospitalar, não houve óbitos relacionados à infecção.

Encontro sem novos anúncios estruturais

Apesar de reunir lideranças da região, a reunião concentrou-se na consolidação de ações já em andamento ou previamente anunciadas pelos governos estadual e municipal, sem apresentação de novos prazos, valores adicionais ou medidas estruturais além das já divulgadas.