A vereadora de Campinas (SP) Mariana Conti (PSol-SP) denunciou o TikTok no Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) devido a trend intitulada “treinando caso ela diga não”. Solicita a responsabilização da plataforma e dos criadores de vídeos que demonstram homens se preparando para atacar mulheres caso elas recusem a ter algum tipo de relação com eles. As imagens mostram homens — em geral, adolescentes e jovens — simulando golpes com socos, chutes, facas e armas.
“Se trata basicamente de uma apologia explícita ao feminicídio. Isso é muito grave, e os autores têm que ser responsabilizados. Mas, mais do que isso, a plataforma tem que ser responsabilizada e obrigada a retirar esses vídeos do ar. Não estamos falando de um vídeo isolado, mas de uma trend, que está circulando amplamente no Tik Tok. São parte de uma comunidade red pill, de masculinidade tóxica, que confia na impunidade e na conivência das plataformas”, afirma a parlamentar.
Conti cobra ainda uma medida permanente por parte da rede social, “a fim de impedir a circulação de conteúdos carregados de discurso de ódio e de apologia à violência”. Ainda de acordo com a parlamentar, "estamos diante de um aumento terrível de casos de feminicídio, e é inaceitável que as big techs sigam coniventes com esse tipo de conteúdo e, pior ainda, lucrando com eles”, acrescenta.
A vereadora defende a aprovação do Projeto de Lei nº 6075/2025, popularmente chamado de “PL Anti-Red Pill”, apresentado pela deputada federal Sâmia Bomfim, também do PSol-SP. O projeto propõe a criminalização do discurso misógino na internet. “É um passo fundamental contra a normalização do discurso de ódio às mulheres e, portanto, para o combate à violência”. Uma petição pública foi aberta, no site da deputada, para a coleta de assinaturas em apoio à medida.
O outro lado
Em resposta ao Correio da Manhã, a assessoria de imprensa do TikTok encaminhou a seguinte nota:
"Os conteúdos que violam nossas Diretrizes da Comunidade foram removidos da plataforma assim que identificados. Nosso time de moderação segue atento e trabalhando para identificar possíveis conteúdos violativos sobre o tema. Não permitimos discurso de ódio, comportamento violento e de ódio ou promoção de ideologias de ódio. Nossa prioridade é manter a comunidade segura e protegida, e continuamos a investir em medidas contundentes que reforçam e defendem ativamente a segurança de nossa plataforma."