As motolâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) deixaram de operar em Campinas desde domingo (1º). A Prefeitura decidiu não renovar o contrato de locação das duas motocicletas utilizadas nos atendimentos de urgência e emergência, encerrando o serviço na cidade.
O contrato terminou em 28 de fevereiro. Em nota, a Rede Mário Gatti informou que a empresa prestadora não demonstrou interesse na renovação e que nenhum outro fornecedor manifestou disponibilidade para assumir o contrato.
Com o encerramento, o atendimento móvel de urgência passa a ser realizado exclusivamente por ambulâncias. Os cinco enfermeiros que atuavam nas motolâncias serão incorporados às equipes do Samu.
A rede informou ainda que estuda buscar financiamento junto ao Ministério da Saúde para realizar nova licitação no futuro.
Redução no tempo de resposta
As motolâncias não transportam pacientes, mas são equipadas com materiais para primeiros socorros e circulam com sirenes, como as ambulâncias. O atendimento era feito em dupla: duas motos saíam juntas, cada uma levando parte dos equipamentos necessários para o socorro inicial.
Pilotadas por profissionais de enfermagem com treinamento em urgência e condução de motocicletas, elas conseguiam se deslocar com mais rapidez no trânsito, especialmente em horários de pico.
Reportagem do portal G1 Campinas, publicada em julho de 2025, mostrou que as motolâncias reduziam em até 10 minutos o tempo de resposta entre o chamado e o início do atendimento. Segundo os socorristas, a estimativa era de que as motos chegassem de cinco a dez minutos antes das ambulâncias, dependendo do trânsito e da localização da ocorrência.
As equipes atendiam, em média, quatro chamados por dia. A maior parte das ocorrências envolve traumas, como acidentes de trânsito e quedas, além de emergências clínicas, como paradas cardiorrespiratórias, convulsões e hipoglicemias.
Críticas de vereadores
A decisão foi criticada por vereadores da oposição. O vereador Wagner Romão (PT) afirmou que a suspensão do serviço representa um retrocesso na rede de urgência.
“Cortar a motolância é cortar tempo, e em emergência, tempo é vida”, escreveu nas redes sociais.
Em entrevista, Romão disse que o serviço é fundamental principalmente nos primeiros socorros de vítimas de traumatismos, acidentes de trânsito e paradas cardiorrespiratórias. Segundo ele, estudos indicam que, nesses casos, cada minuto de espera reduz em cerca de 10% as chances de sobrevivência.
O parlamentar também questionou o argumento financeiro. De acordo com ele, o aluguel das duas motos custava pouco menos de R$ 6 mil por mês, incluindo seguro e veículos reserva. Romão informou que protocolou requerimento pedindo informações detalhadas sobre a situação orçamentária da Rede Mário Gatti.
A vereadora Fernanda Souto (PSOL) também classificou como “gravíssimo” o encerramento do serviço. “A motolância chega antes da ambulância, inicia os primeiros procedimentos e estabiliza o paciente até que o suporte completo chegue”, publicou.
Ela afirmou ainda que, apesar da justificativa de falta de recursos, a Prefeitura registrou aumento de receitas correntes nos últimos dois anos e que a decisão refletiria uma questão de prioridade política.