A cesta básica em Campinas (SP) iniciou o ano de 2026 com alta de 0,98%, batendo R$ 790,47 em janeiro, comprometendo 48,7% do salário mínimo (R$ 1.621,00), ou seja, quase metade do salário do trabalhador. O custo é o maior desde julho do ano passado, quando o valor registrado totalizou R$ 796,14, de acordo com Observatório PUC-Campinas.
A cesta considera o sustento de um trabalhador por um mês, e, para uma família de quatro pessoas, composta por dois adultos e duas crianças, a demanda mínima necessária seria a três cestas, totalizando R$ 2.371,42 só para gastos com alimentação.
Mas, não é só isso. "A cesta básica, em várias capitais, e em algumas metrópoles, como Campinas, tem o preço como um indicador de poder de compra", ensina o economista José Afonso Bittencourt. "A alta demanda interna com consumo em alta também pode influenciar, mas não acredito que seja o caso no momento", acrescenta.
Ainda de acordo com o especialista, o que impactou diretamente no custo foi a logística, com o aumento do valor do combustível em janeiro em todo o Brasil, um impacto até maior que os 30% do tomate, pois a logística atinge todos os itens.
No comparativo entre as metrópoles brasileiras, Campinas ocupa a quarta posição entre as mais caras, visto que apenas três capitais apresentam valor superior ao da cidade interiorana: São Paulo (SP), com R$ 854,00; Rio de Janeiro (RJ), com R$ 818,00; e Porto Alegre (RS), com R$ 795,00.
Mas, o índice campineiro supera os gastos observados em Campo Grande (MS) onde a cesta custa R$ 783,00; em Curitiba (PR), R$ 748,00; Vitória (ES), R$ 743,00; Belo Horizonte (MG), R$ 738,00; e Goiânia (GO), R$ 736,00.
Itens
Em janeiro, seis dos 13 produtos que compõem a cesta campineira ficaram mais caros. O tomate liderou, com avanço de 30,25%, seguindo pela manteiga, com 8,14%; o arroz, com 2,97%; o pão francês, com 2,53%; o leite, com 0,91%.
Por outro lado, o custo de vida foi atenuado pela redução nos valores da banana, que caiu 11,57%; da batata, -7,23%; e da carne, -2,71%. O óleo e a farinha também recuaram 1,50% cada, enquanto o feijão teve leve queda de 0,46%.
"O fator climático impacta diretamente com o excesso de chuvas e geadas, principalmente no preço da soja, do feijão e do tomate", aponta Bittencourt.
Pesquisa
A metodologia aplicada pela PUC-Campinas utiliza os parâmetros estabelecidos pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) -instituição criada em 1955 pelo movimento sindical para produzir pesquisas, estudos técnicos e estatísticas sobre trabalho, emprego e custo de vida no Brasil.
O levantamento fundamenta-se em um decreto-lei de 1938, que define treze itens alimentares e quantidades específicas para suprir o sustento de um trabalhador adulto durante trinta dias.
A composição respeita os padrões de consumo da região Sudeste e inclui nove quilos de tomate, sete litros e meio de leite, seis quilos de carne, seis quilos de batata, seis quilos de pão francês, quatro quilos e meio de feijão, três quilos de arroz, três quilos de açúcar, um quilo e meio de farinha, setecentos e cinquenta gramas de manteiga, setecentos e cinquenta mililitros de óleo, seiscentas gramas de café e noventa unidades de banana.
A coleta de dados ocorre em 28 supermercados, com visitas feitas pelos entre a segunda e a terceira semana de cada mês, em datas fixas, para evitar distorções causadas por promoções temporárias em diferentes estabelecimentos comerciais.
O economista José analisa que a cesta básica em capitais e metrópoles como Campinas funciona como indicador de poder de compra e ressalta que em 2025 o custo desses produtos representava mais da metade do salário mínimo líquido do trabalhador brasileiro. Segundo o especialista, "o fator climático impacta diretamente com o excesso de chuvas e geadas principalmente no preço da soja, do feijão e do tomate". Ele acrescenta que "outro custo que impacta diretamente é o da logística e com o aumento do valor do combustível neste mês de janeiro em todo o Brasil tenha causado um impacto até maior que os 30% do tomate, pois a logística atinge todos os produtos".
A análise econômica indica que o câmbio atual exerce influência limitada sobre os preços internos. Conforme explica José, "o dólar ao preço baixo de hoje não causa tanto impacto ao contrário de quando está alto que o produtor prefere exportar". O economista descarta a possibilidade de que o consumo excessivo esteja forçando as cotações para cima neste momento ao afirmar que "a alta demanda interna com consumo em alta também pode influenciar, não acredito que seja o caso no momento". Os dados consolidados de janeiro reforçam a necessidade de atenção dos consumidores ao planejamento doméstico diante da manutenção de preços elevados em componentes centrais da dieta básica, como o arroz e os hortifrútis.