A Azul Linhas Aéreas informou nesta segunda-feira (23) que a American Airlines e a United Airlines passarão a deter, cada uma, 8% das ações da companhia, após aportes de US$ 100 milhões por empresa como parte do plano de reestruturação financeira concluído na semana passada. A Azul Linha Aéreas tem em Campinas seu principal centro de operações no Aeroporto Internacional de Viracopos, que é o maior e mais importante terminal de cargas aéreas da América Latina.
O investimento marca uma nova fase para a aérea brasileira após a saída do Chapter 11 - mecanismo equivalente à recuperação judicial nos Estados Unidos. No caso da American, o aporte ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Além da participação acionária, a Azul firmará um novo acordo de compartilhamento de voos (codeshare) com a American. A empresa já mantém parceria semelhante com a United há mais de 12 anos. Segundo o CEO John Rodgerson, o modelo deve seguir a mesma lógica do acordo já existente, ampliando conexões e integração de malhas internacionais. O acordo comercial também deverá passar pelo Cade.
Rodgerson afirmou que, apesar de se tornarem acionistas de referência, as duas companhias norte-americanas não terão direito automático a assentos no conselho, conforme as regras estabelecidas no plano aprovado pela Justiça dos Estados Unidos.
Saída do Chapter 11 e redução de dívida
A Azul anunciou na sexta-feira (20) a conclusão do processo de recuperação judicial iniciado em maio de 2025. Segundo comunicado da companhia, a reestruturação foi finalizada em menos de nove meses.
Ao deixar o Chapter 11, a empresa informou ter recebido US$ 850 milhões em novos investimentos em ações, além dos compromissos adicionais das duas aéreas norte-americanas. Também houve captação de US$ 1,375 bilhão em novos títulos.
De acordo com a companhia, a reestruturação resultou em redução aproximada de US$ 2,5 bilhões em dívidas e obrigações de arrendamento, corte superior a 50% nas despesas anuais com juros e diminuição de cerca de um terço nos custos recorrentes de leasing de aeronaves. A alavancagem líquida proforma ficou abaixo de 2,5 vezes, o menor nível da história da empresa, segundo a Azul.
Durante o processo, a companhia manteve cerca de 800 voos diários, registrou índice de pontualidade de 85,1% e transportou 32 milhões de passageiros em 2025, o maior volume anual da sua história. Atualmente, opera aproximadamente 175 aeronaves e atende mais de 130 cidades em cerca de 250 rotas.
Expansão internacional a partir de 2027
Apesar do reforço financeiro e da nova estrutura societária, a expansão internacional deverá ocorrer apenas a partir de 2027. Segundo Rodgerson, 2026 será um ano de reorganização operacional e transição de frota.
A empresa receberá dois novos A330neo nos próximos meses e devolverá aeronaves mais antigas, com custo de arrendamento mais elevado. A substituição deve ocorrer ao longo de cerca de seis meses. Além disso, a Azul seguirá incorporando aeronaves da Embraer - entre cinco e seis unidades por ano - e pretende reativar três aviões que estavam fora de operação por questões técnicas.
O CEO afirmou que os novos modelos apresentam menor custo operacional, o que deve preparar a companhia para retomar o crescimento internacional com maior segurança financeira.
Fusão com a Gol é descartada
Rodgerson também descartou retomar negociações de fusão com a Gol Linhas Aéreas. Segundo ele, antes da recuperação judicial, uma combinação de negócios poderia ser considerada como alternativa diante do alto endividamento. Com a nova estrutura financeira, no entanto, a empresa entende que não há necessidade de consolidação.
“Quando você acumula muita dívida, a fusão pode ser uma saída diferente. Ao entrar no Chapter 11, não há necessidade. Saímos menos alavancados do que nossos concorrentes saíram de seus processos”, afirmou.
Com a reestruturação concluída e novos parceiros estratégicos, a Azul afirma que inicia uma nova etapa com foco em crescimento disciplinado, eficiência operacional e expansão sustentável nos próximos anos.
Com informações da FolhaPress e da assessoria de imprensa da Azul Linhas Aéreas.