Por: Raquel Valli

Campinas (SP) enfrenta alagamentos crônicos e falta de cronograma para obras de drenagem no Taquaral

Equipe da Secretaria de Serviços Públicos limpeza área que sofreu alagamento | Foto: Carlos Bassan/ Prefeitura de Campinas

Apesar de 21 veículos terem ficado submersos esta semana na região do ex-kartódromo do Taquaral em Campinas (SP), a situação não é novidade no município, que conta com pontos de alagamentos crônicos, onde, inclusive, pessoas morrem. Neste sentido, o Correio da Manhã questionou a Prefeitura a respeito de soluções resolutivas para o problema, que assola a cidade há décadas.

Em resposta, a Prefeitura informou que “está finalizando um estudo técnico para um projeto de ampliação da drenagem na região do antigo kartódromo” e que “o objetivo é aumentar a captação e o escoamento das águas das chuvas, com a implantação de uma rede auxiliar à existente, para reforçar a infraestrutura e contribuir para a redução de alagamento na área”.

Ainda de acordo com o Executivo, “a análise leva em conta séries históricas de chuvas e o comportamento do sistema ao longo das últimas décadas, fundamental para definir o dimensionamento adequado da nova estrutura e garantir maior eficiência no escoamento. Após a conclusão do estudo técnico, será elaborado o projeto executivo e a busca por recursos. A estimativa preliminar aponta que o investimento pode chegar a cerca de R$ 25 milhões”.

Informa também que “a rede de drenagem na região é antiga, com cerca de 60 anos, quando o entorno era menos urbanizado e o solo mais permeável. Com o crescimento urbano e a expansão de áreas asfaltadas e edificadas, a capacidade de drenagem diminuiu".

O Palácio dos Jequitibás, entretanto, não informou o cronograma do estudo, nem tampouco a data prevista para que seja apresentado. Também não precisou onde pretende buscar a verba e como pretende fazê-lo.

Para o mestre em Planejamento Urbano, Ayrton Camargo e Silva, docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, e ex-servidor da Prefeitura, “qualquer ação do poder público que não tem prazo definido é bla bla bla”.

De acordo com o urbanista, a necessidade central neste caso reside no conhecimento do plano de drenagem da cidade, que deve ser elaborado com base nas bacias hidrológicas existentes para compor o plano de macrodrenagem urbana. 

Isso porque à medida que a urbanização avança torna-se fundamental a instalação de galerias de águas pluviais sob o pavimento, além de bueiros e bocas de lobo nas sarjetas para o escoamento adequado. O dimensionamento dessas estruturas precisa considerar o regime hídrico atual marcado por mudanças climáticas, que resultam em chuvas torrenciais e no aumento da impermeabilização do solo, ensina Camargo e Silva.

Ainda segundo o professor, é preciso compatibilizar o controle das áreas de declividade que direcionam o fluxo para os fundos de vale, mantendo as margens dos rios desimpedidas para suportar transbordamentos em épocas de cheia.

A presença de vegetação também é indispensável para a absorção do excesso de água, assim como a manutenção de áreas permeáveis em regiões de maior solicitação pluviométrica, onde a drenagem convencional possa ser insuficiente.

Camargo e Silva pontua que o planejamento deve integrar o conhecimento do regime hídrico com políticas de arborização e garantia de permeabilidade do solo urbano e que a infraestrutura instalada exige a obrigação de manter bueiros e galerias limpos, pois o acúmulo de lixo impede o funcionamento do sistema e causa alagamentos.

Dessa forma a abordagem inicial do problema deve focar no estado do plano de drenagem e macrodrenagem, além da eficácia do cronograma de manutenção e limpeza das galerias existentes.

Quanto à limpeza de bueiros e córregos, a Prefeitura afirma que “faz um trabalho permanente de limpeza de 46 córregos e a limpeza e a desobstrução de bueiros e galerias pluviais, cerca de 800 por mês, para garantir a passagem livre para o fluxo de água”.

Ressalta que é “Importante que a população não jogue lixo e entulho no chão, que são levados pelas chuvas, entopem as bocas de lobo e os leitos dos córregos e impedem o fluxo da água”.

Informa ainda que “o cidadão pode solicitar a limpeza de bueiros por meio do canal 156 cujas canais de atendimento estão disponíveis pela internet