O percentual de estudantes que fizeram o ensino médio na rede pública e foram aprovados na Unicamp este ano passou de 46% em 2025 para 49,5% neste ano, o que representa 1.781 estudantes de um total de 3.600 aprovados na primeira chamada, nas diferentes modalidades de ingresso nos cursos de graduação. Os dados foram divulgados pela Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) e consideram as seguintes modalidades: Vestibular Unicamp, Enem-Unicamp, ProFis, Vestibular Indígena e Vagas Olímpicas.
O percentual de estudantes pretos, pardos e indígenas aprovados também subiu, passando de 35,4% em 2025 para 35,7% (1.285 estudantes) em 2026. Já o índice de candidatos isentos de pagar a taxa de inscrição, que pertencem a um perfil de maior vulnerabilidade socioeconômica, manteve-se praticamente igual ao ano anterior, com 12% do total dos aprovados (442), contra 12,5% em 2025. O percentual considera as modalidades Vestibular Unicamp e Enem-Unicamp, para as quais é concedida a isenção da taxa, de acordo com o perfil dos estudantes. Nas modalidades Vagas Olímpicas, Vestibular Indígena e ProFis, as inscrições são gratuitas.
Alguns dados mantiveram-se estáveis, como o número de mulheres aprovadas, que ficou em 45,7% (1.645), praticamente mantendo o índice de 46% do ano anterior. Já os aprovados oriundos de outros estados do Brasil representam 14,7% (529 estudantes) do total na Unicamp em 2026, contra 16% em 2025. Em relação à renda dos candidatos que obtiveram uma vaga na Unicamp este ano, 37,7% (1.358 estudantes) têm renda mensal familiar de até cinco salários mínimos, contra 39,6% no ano anterior.
No ingresso 2026, a Unicamp adotou pela primeira vez, após aprovação pelo Conselho Universitário, as cotas para pessoas trans. A reserva de vagas foi instituída na modalidade Enem-Unicamp e valeu tanto para estudantes de escolas particulares como públicas. De acordo com a Comvest, na primeira chamada houve 61 pessoas convocadas, para diferentes cursos da Unicamp.
Para a pró-reitora de graduação da Unicamp, Mônica Cotta, os resultados demonstram a articulação entre os diferentes processos de seleção da Universidade, administrados pela Comvest. “Nossas formas de ingresso se mostram muito bem articuladas e consolidadas, na medida em que estão alinhadas tanto com as demandas da sociedade quanto com as politicas de inclusão da Universidade. Estamos ansiosos esperando a chegada dos novos alunos”, disse Mônica Cotta.
O diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto, destacou que, por meio das diferentes formas de ingresso, fica garantido o acesso de vários perfis de estudantes à Unicamp. “Pelo vestibular, que é a principal forma de ingresso na Unicamp, nota-se que há o acesso de todos os públicos, sejam oriundos de escolas públicas ou privadas. O desenho para o qual o ingresso tem apontado é a convivência dos estudantes de vários perfis no interior da Unicamp. Não há possibilidade de sairmos de uma sociedade altamente polarizada, como a atual, se não for pelo respeito e pelo diálogo entre os diferentes. Nesse sentido, a Unicamp permite, por meio dos seus sistemas de acesso, que tenhamos uma universidade mais diversa e mais complexa e por isso mais enriquecedora para a produção de novos conhecimentos”, disse Freitas Neto.
Rumo à Medicina
O estudante Wesley Cassimiro, de 20 anos, foi aprovado para uma vaga no curso de Medicina da Unicamp. Ele mora no distrito de São Mateus, zona leste de São Paulo, e conta que ser aprovado carrega muitos significados. “Em primeiro lugar, passar em Medicina em uma das melhores universidades da América Latina já é uma conquista grandiosa. Em segundo, essa aprovação expandiu o meu campo de aprendizagem e experiências, já que vou vivenciar novas oportunidades, participar de diversos projetos e conviver com pessoas de diferentes áreas. Por fim, a aprovação representa uma superação pessoal muito significativa. Ser um homem negro, vindo de um lugar periférico e sempre dependente do esforço pessoal para atingir objetivos maiores na vida é uma coisa muito difícil e conquistar essa vaga na Unicamp me torna um ilustre exemplo de que a educação sempre vence”, disse Wesley.
Wesley afirma que admira o modelo de inclusão da Unicamp, especialmente o Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (PAAIS) e as cotas raciais. “Também acho fundamental as múltiplas opções de auxílios para a permanência e o estímulo ao estudo dos alunos. Tudo isso de forma muito racional e com disciplina. Abrir as portas para pessoas de fora, projetos sociais, possibilidades de intercâmbio e outras incontáveis oportunidades dentro da universidade fomenta a construção de indivíduos conscientes de como o mundo funciona”, afirmou o estudante.
Do Cria Unicamp para a sala de aula
A estudante Larissa Araújo Silva, aprovada no curso de Odontologia da Faculdade de Odontologia da Unicamp, em Piracicaba (FOP), optou pela cota para estudantes pretos e pardos no vestibular. Segundo ela, um dos motivos de ter escolhido a Unicamp foi por considerá-la uma das universidades que mais se preocupam com a qualidade acadêmica e com a inclusão social “A Unicamp tem várias possibilidades de ingresso além do próprio vestibular, como o Provão Paulista, o Enem-Unicamp, o vestibular indígena, entre outros, e isso sempre me cativou muito, principalmente quando descobri sobre as cotas para estudantes pretos, pardos e indígenas”, disse a estudante.
Larissa participou do projeto Cria Unicamp, organizado pela Comvest para interagir com estudantes de ensino médio e contribuir para sua preparação. Lançado em 2023, o projeto está completando três anos e, de acordo com Larissa, auxilia na preparação dos vestibulandos. “A Unicamp realmente se preocupa com você e torce para que você consiga realizar o sonho de fazer uma graduação em uma universidade pública, um direito seu e de todos. Ser vestibulando não é fácil, é cansativo, você se sente pressionado o tempo todo, mas no final vale cada segundo do seu esforço”, comemorou.
As informações são do site da Unicamp (unicamp.br)