Por: Moara Semeghini - Campinas

Polícia Federal prende dupla em operação contra armazenamento de conteúdo de abuso sexual infantil

A Polícia Federal (PF) prendeu duas pessoas em flagrante, na manhã desta quinta-feira (29) | Foto: agenciasp.sp.gov.br/

A Polícia Federal prendeu duas pessoas em flagrante, na manhã desta quinta-feira (29), durante a deflagração da Operação Apanhador de Sonhos, voltada ao combate à posse e ao compartilhamento de material contendo cenas de abuso sexual de crianças e adolescentes. As prisões ocorreram nos municípios de Campinas e Hortolândia, na Região Metropolitana de Campinas (RMC).

De acordo com a PF, um homem de 43 anos foi preso em Hortolândia e outro, de 19 anos, em Campinas. As ações foram realizadas a partir do cumprimento de dois mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal em Campinas, no âmbito de investigações distintas conduzidas pela delegacia da Polícia Federal no município.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais localizaram e apreenderam dispositivos eletrônicos, como celulares e computadores, que continham material ilegal. Os equipamentos foram encaminhados para análise pericial, que deverá aprofundar as investigações e auxiliar na identificação de outros possíveis envolvidos.

Segundo a Polícia Federal, os dois investigados não atuavam em conjunto. As apurações tiveram início a partir de trabalho próprio de prospecção da PF de Campinas, com uso de inteligência policial e ferramentas tecnológicas voltadas ao enfrentamento de crimes cometidos no ambiente digital. Esse tipo de monitoramento vem sendo continuamente aprimorado pela corporação, diante do crescimento dos delitos praticados pela internet.

O delegado-chefe da Polícia Federal em Campinas, André Almeida, explicou que o caso teve origem no trabalho do grupo de repressão a crimes cibernéticos. Conforme a PF, ao ser identificado o compartilhamento do material ilegal, foram instaurados procedimentos investigativos que resultaram na expedição dos mandados judiciais.

As prisões em flagrante ocorreram porque o material foi encontrado nos aparelhos eletrônicos durante o cumprimento das ordens judiciais. A legislação brasileira considera crime a posse de material contendo cenas de abuso sexual infantojuvenil, com pena que pode variar de um a quatro anos de prisão. Já o compartilhamento desse tipo de conteúdo prevê penas mais severas, de três a seis anos.

A Polícia Federal também ressalta que a produção desse tipo de material pode resultar em penas ainda mais elevadas, que variam de quatro a oito anos de prisão, e que a gravação de cenas de abuso sexual envolvendo crianças ou adolescentes configura o crime de estupro de vulnerável, cuja pena pode chegar a 15 anos de reclusão, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Código Penal.

A operação recebeu o nome de “Apanhador de Sonhos” como forma de simbolizar o compromisso da Polícia Federal com a proteção da infância e o combate à violência sexual praticada no ambiente virtual. Segundo a corporação, a iniciativa marca apenas o início de um trabalho contínuo, com novas ações previstas ao longo do ano, voltadas à repressão desse tipo de crime.

Além da atuação repressiva, a Polícia Federal reforça a importância da atenção permanente de pais e responsáveis em relação ao uso da internet por crianças e adolescentes. A corporação destaca que medidas como monitoramento, diálogo e orientação são fundamentais para reduzir riscos e prevenir abusos no ambiente digital.

A PF informa ainda que segue à disposição da sociedade para o recebimento de denúncias e reforça que o combate aos crimes sexuais contra crianças e adolescentes é uma das prioridades institucionais da corporação.