Um protesto contra os feminicídios que têm ocorrido na região foi realizado no fim da tarde de terça-feira (27) em frente à Prefeitura de Campinas pelo Coletivo Mulheres Pela Democracia. “Foi um ato simbólico para registrar a falta de enfrentamento estadual e municipal à violência contra as mulheres”, afirmou a jornalista Márcia Quintanilha, da UBM (União Brasileira de Mulheres).
Uma performance foi realizada com 27 cruzes, com os nomes das 27 mulheres que sofreram feminicídio na região (24 foram assassinadas em 2025 e três em 2026).
Os registros específicos das residentes em Campinas aumentaram 12% na comparação entre 2023 e 2024. Os dados são do 18º Boletim Sisnov (Sistema de Notificação de Violência em Campinas), publicado em dezembro de 2025 pela Prefeitura. Mostram que as notificações passaram de 1.585 para 1.777 no período avaliado.
Já considerando-se o período de 2019 a 2024 foram contabilizadas 6.818 notificações. Neste intervalo, cônjuges ou ex-cônjuges das vítimas foram responsáveis por 42,1% dos casos.
Pela manhã, o prefeito Dario Saadi (Republicanos-SP) deu uma coletiva de imprensa para apresentação das novas ações de combate a esse tipo de violência (leia mais abaixo).
Entretanto, para Quintanilha, não houve coincidência. “Engraçado eles chamarem essa coletiva exatamente no dia do ato” porque ”não tomaram providência até agora”, declarou a feminista.
Já o prefeito afirmou que “Campinas está iniciando novas ações para tentar reduzir indicadores da violência de forma contínua. É um compromisso de governo a valorização e a proteção das mulheres”.
Entre as medidas anunciadas, redução pela metade do tempo de solicitação de auxílio-moradia para mulheres em situação de violência: que passa de 30 para 15 dias, com contagem a partir da solicitação junto ao Centro de Referência de Assistência Social (Creas).
O valor mensal é de R$ 994,31, a duração é de seis meses, mas o benefício pode ser ampliado e chegar a 12 meses. Ainda de acordo com a Prefeitura, a quantidade de benefícios concedidos cresceu: foram 37 em 2023, 75 em 2024 e 102 em 2025.
O anúncio deu conta também de uma formação on-line para profissionais de educação que atuam nas 429 escolas municipais e estaduais com turmas de educação básica. O certificado de conclusão será emitido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres.
Informou ainda uma capacitação de profissionais da atenção primária em saúde sobre violência de gênero, com foco nos primeiros sinais. A 1ª parte do projeto tem início em março, com um mapeamento de necessidades por região, enquanto o curso on-line deve ser lançado em agosto e incluir 3,2 mil trabalhadores.
Quanto à segurança, especificamente, anunciou a criação de um grupo executivo integrado pela Guarda e polícias Civil e Militar com foco na tomada de decisões estratégicas para o enfrentamento à violência contra a mulher.
Intersetorial
“O enfrentamento à violência contra as mulheres exige uma atuação integrada, contínua e intersetorial. A Secretaria de Políticas para as Mulheres atua como articuladora de políticas públicas que atravessam diferentes áreas da gestão municipal, garantindo que a prevenção, o acolhimento, a proteção e a reconstrução da autonomia das mulheres estejam presentes em toda a rede pública”, explicou a titular da Pasta, Alessandra Herrmann.
Ela foi acompanhada na apresentação pelos secretários municipais Lair Zambon (Saúde), Patrícia Adolf Lutz (Educação), Rose Guglielminetti (Comunicação), Adriana Flosi (Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação), Vandecleya Moro (Desenvolvimento e Assistência Social) e Adriana Capriolli (Cultura e Turismo). A comandante da Guarda de Campinas, Maria de Lourdes Soares, representou a Segurança Pública, enquanto a área de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas foi representada pela diretora Karina Locatelli.
Participaram ainda o diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 2 (Deinter-2), Oswaldo Diez Júnior, o coronel da Polícia Militar em Campinas, Leonardo Akira Takahashi, os delegados à frente das duas delegacias de Defesa da Mulher (DDM) na cidade, além de representantes da educação estadual.