A vazão média do Rio Atibaia na primeira quinzena de janeiro de 2026 ficou em 12,02 m³/s, 67,2% abaixo da média histórica de janeiro, que é de 36,43 m³/s. O manancial abastece 95% da população de Campinas (SP).
Os dados foram coletados no ponto de captação de Valinhos (SP) e foram compilados pelo consórcio PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) e pelo DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica). O volume de água ficou abaixo do patamar de 10 m³/s, índice de segurança hídrica estabelecido na outorga do Sistema Cantareira em 2017 (leia mais abaixo).
Alerta
A Sanasa (empresa responsável pelo abastecimento da cidade) emitiu um alerta na quarta-feira (14) na 275ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico sobre a redução da vazão do Atibaia porque, caso haja a permanência deste cenário, a composição da água bruta sofrerá interferência, assim como, o processo de tratamento de água, já que vazões inferiores ao limite pactuado elevam custos operacionais.
Por esse motivos, a empresa solicitou providências à SP-Águas, à Agência Nacional de Águas (ANA) e ao Comitê PCJ. O objetivo é o restabelecimento da vazão mínima acordada, em vigor desde 2017.
Árido
O motivo apontado é a ausência de chuvas no volume esperado para o verão. Isso porque o abastecimento de Campinas depende diretamente de precipitações constantes, distribuídas nas áreas de cabeceira.
Queda de braço
O Cantareira opera por meio da captação de água dos rios Jaguari, Jacareí, Atibainha e Juqueri para o abastecimento da Grande São Paulo. A gestão do manancial é realizada pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) sob regulação da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) e do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica).
O impasse histórico ocorre porque o sistema retira água da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí para a Capital.
A outorga estabelece limites de retirada conforme o volume útil acumulado. Em condições normais, a vazão média enviada para a capital atinge 33m³/s.
O arranjo retira cerca de 70% do potencial hídrico para o consumo da Grande São Paulo. O conflito entre o Comitê da Bacia Hidrográfica do PCJ e os gestores estaduais persiste nas negociações de renovação do direito de uso.