Por: Moara Semeghini - Campinas

Campinas tem tarifa de ônibus mais cara que São Paulo, Rio e Distrito Federal

Campinas passa a figurar entre as cidades com a tarifa de ônibus mais cara do país a partir de 1º de janeiro de 2026 | Foto: Prefeitura de Campinas

Campinas passou a figurar entre as cidades com a tarifa de ônibus mais cara do país a partir de 1º de janeiro de 2026. O Bilhete Único Comum foi reajustado para R$ 6, enquanto o Vale-Transporte passará a custar R$ 6,50, segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec). O valor da segunda integração permanece em R$ 0,50, e a primeira segue gratuita, permitindo ao usuário utilizar até dois ônibus no período de duas horas pagando apenas uma tarifa.

Com o novo valor, Campinas supera grandes capitais brasileiras. Na cidade de São Paulo, a tarifa de ônibus será reajustada de R$ 5 para R$ 5,30 a partir de 6 de janeiro de 2026. No Rio de Janeiro, um decreto municipal determinou aumento de R$ 0,30, elevando a passagem de R$ 4,70 para R$ 5, a partir de 4 de janeiro, valor que se aplica a ônibus, BRTs, VLTs, vans e linhas alimentadoras. Já o Distrito Federal decidiu manter as tarifas de transporte público sem reajuste até o final de 2026, mesmo diante de aumentos adotados por outras capitais no início de 2025.

Manifestação de estudantes

O reajuste em Campinas intensificou o debate sobre o custo da mobilidade urbana e motivou protestos. Na terça-feira (14), estudantes realizaram uma manifestação no Terminal Central, no Centro da cidade. Com cartazes e palavras de ordem, o ato reuniu principalmente alunos da Unicamp e de outras instituições de ensino, que criticaram o impacto do aumento no orçamento de quem depende diariamente do transporte coletivo para estudar e trabalhar.

Os manifestantes afirmaram que, com a tarifa fixada em R$ 6 no Bilhete Único Comum e R$ 6,50 no Vale-Transporte, Campinas passa a ter uma das passagens mais caras do Brasil, em contraste com capitais que concentram maior renda e infraestrutura de transporte mais ampla.

Ministério Público avalia reajuste e subsídios

A discussão também chegou ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), que recebeu nesta semana uma representação solicitando a apuração da legalidade do reajuste da tarifa e do volume de subsídios públicos destinados às empresas concessionárias do transporte coletivo em Campinas. O documento foi protocolado pela vereadora Mariana Conti e pela deputada federal Sâmia Bonfim.

Na representação, as parlamentares apontam que o percentual de aumento aplicado às diferentes modalidades de bilhete supera a inflação acumulada nos últimos 12 meses e argumentam que a variação dos valores é excessiva para os usuários. O pedido também questiona o crescimento expressivo dos subsídios pagos pelo município às empresas do setor, que teriam aumentado significativamente ao longo de 2025.

Segundo as autoras, há indícios de que o reajuste tenha ocorrido em prejuízo do interesse público, além de possíveis inconsistências na destinação dos recursos. Caso o MP identifique irregularidades, o procedimento pode evoluir para a abertura de uma Ação Civil Pública e, em situações mais graves, até uma Ação de Improbidade Administrativa.