Por: Moara Semeghini - Campinas

Campinas lidera a alta do aluguel entre cidades não capitais do Brasil

Campinas registrou em 2025 o crescimento mais acelerado no aluguel entre as não capitais | Foto: Firmino Piton/Prefeitura de Campinas

Campinas registrou, em 2025, o crescimento mais acelerado dos preços de aluguel entre as cidades não capitais do país, com alta de 19,92% no ano, segundo o Índice FipeZAP de Locação Residencial. O percentual é mais que o dobro da média nacional e coloca o município no topo do ranking de variação anual fora das capitais brasileiras.

No Brasil, o valor médio dos aluguéis subiu 9,44% em 2025, ritmo inferior ao observado nos anos anteriores, mas ainda assim mais que o dobro da inflação oficial do período, medida pelo IPCA, que fechou o ano em 4,26%. Em 2024, a alta média havia sido de 13,5%, enquanto em 2023 e 2022 os reajustes chegaram a cerca de 16% ao ano, impulsionados pela retomada do mercado imobiliário no pós-pandemia.

Os dados fazem parte do Índice FipeZAP, elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base em anúncios de imóveis residenciais para locação publicados em plataformas digitais. O indicador acompanha a evolução dos preços em 36 cidades brasileiras, incluindo capitais e grandes centros urbanos do interior.

Entre as capitais, os maiores aumentos em 2025 foram registrados em Teresina (21,81%), Belém (17,62%), Aracaju (16,73%), Vitória (15,46%) e João Pessoa (15,31%). Na outra ponta, Manaus teve a menor variação do país, com alta de apenas 1%, abaixo da inflação do período.

Fora do grupo das capitais, Campinas aparece isolada na liderança. Na sequência, vêm Pelotas (RS), com alta de 18,81%, Niterói (RJ), com 16,27%, São José do Rio Preto (SP), com 15,41%, e Barueri (SP), com 13,97%. A maioria das cidades do interior paulista monitoradas pelo índice apresentou reajustes acima da média nacional.

Alta do aluguel não é o mesmo que aluguel mais caro

Embora Campinas lidere o ranking de variação anual dos preços, isso não significa que a cidade tenha o aluguel mais caro do país. Em termos de preço médio do metro quadrado, o ranking nacional é liderado por Barueri, também na Região Metropolitana de São Paulo.

A diferença está no critério analisado: enquanto Campinas teve o maior aumento percentual dos aluguéis em 2025 entre as cidades não capitais, Barueri aparece no topo quando o recorte é o valor absoluto cobrado por metro quadrado, independentemente da variação ao longo do ano. Assim, Campinas lidera a alta, enquanto Barueri lidera o preço.

A pesquisa também revela que os imóveis de três dormitórios foram os que mais encareceram em 2025, com alta média de 10,19%. Em seguida aparecem os aluguéis de imóveis com até um dormitório (9,81%), unidades com quatro ou mais dormitórios (9,64%) e, por fim, os de dois dormitórios (9,19%).

Além da evolução dos preços, o FipeZAP acompanha a rentabilidade do aluguel, indicador que mede o retorno anual do imóvel em relação ao seu valor de venda. Em dezembro de 2025, essa taxa atingiu 5,96% ao ano, o maior nível desde 2011. Apesar de ainda ficar abaixo da rentabilidade projetada para parte das aplicações financeiras, o resultado indica um cenário mais favorável para proprietários, especialmente em cidades com forte valorização dos aluguéis.

Especialistas apontam que fatores como dinamismo econômico, crescimento populacional, presença de universidades e polos tecnológicos, além da oferta limitada de novos imóveis, ajudam a explicar a pressão sobre os preços de locação em grandes cidades do interior, como Campinas — tendência que deve continuar influenciando o mercado imobiliário nos próximos anos.