A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos (ABV), administradora do Aeroporto Internacional de Viracopos, de Campinas (SP), está negociando a implantação de novas rotas internacionais, tanto de passageiros quanto de cargas.
Para tanto, confirmou a sua presença na Routes World 2026, que será realizada de 27 a 29 de outubro, em Riade, na Arábia Saudita. Esta será a 31ª edição da feira, que reúne a comunidade global de desenvolvimento de rotas aéreas.
O evento é considerado pelo setor como um dos o mais estratégico eventos no tocante à aviação civil do mundo, conectando companhias aéreas, aeroportos, destinos e stakeholders. "Na ocasião, a concessionária vai apresentar projetos para conquistar novas rotas e parcerias", informa a ABV.
Ainda de acordo com a concessionária, Viracopos "busca novas rotas para países da América do Norte, América Central, Europa, Ásia e África, além de retomar conexões com países vizinhos na América do Sul".
Recordes
O aeroporto bateu novo recorde de movimentação de passageiros, com 12,8 milhões embarcando ou desembarcando pelo terminal no ano passado: 431 milhões a mais que em 2024, quando registrou 12,4 milhões (um crescimento de 3,47%).
O número exato, de 12.826.553, é o equivalente a 11 vezes a população de Campinas, que, de acordo com o último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), datado de 2022, tem 1,2 milhão de habitantes. O recorde anual anterior havia sido atingido em 2023, com 12,5 milhões de passageiros.
Ainda segundo a ABV, antes do início da concessão, em 2011, o terminal registrou 7,6 milhões de passageiros e, em 2012, já sob concessão, 8,9 milhões.
Além disso, pela segunda vez na história do aeroporto, o terminal encerrou o ano com mais de 1 milhão de passageiros transportados em voos internacionais: 1.109.617, 29,21% a mais que em 2024, que registrou 858.767 passageiros.
O recorde anterior havia sido registrado em 2023, com 1.068.500 passageiros. Os pousos e decolagens também aumentaram em 2025, quando comparados a 2024: foram 124.613 no ano passado, ante 121.934 no ano anterior, uma alta de 2,20%.
Otimismo
Devido aos dados, a concessionária está otimista em relação a 2026. "A tendência é de continuidade no crescimento do movimento de passageiros internacionais", pontuou.
Em junho de 2025, abriu duas novas operações internacionais por meio da Azul Linhas Aéreas, que passou a oferecer voos diretos para Madri (Espanha) e Porto (Portugal). Além destes, possui voos para os Estados Unidos, em Fort Lauderdale e Orlando, na Flórida; e para Lisboa, em Portugal. Todos de chegada e partida; além dos sazonais para Mendoza e Bariloche, ambos na Argentina.
Em outubro do ano passado, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) abriu uma mesa de negociação com a ABV para discutir o futuro da concessão do aeroporto.
O diálogo foi uma solicitação da empresa, que administra o terminal desde 2012 e manifestou o interesse de permanecer na gestão. A mediação foi aberta após uma audiência pública na Câmara dos Deputados em Brasília (DF) a pedido da deputada Adriana Ventura (Novo-SP).
"A concessão tem sido marcada por inadimplência contratual, judicializações sucessivas e falta de cumprimento das obrigações assumidas. Este imbróglio aumenta o prejuízo ao erário, que já é bilionário", afirmou a parlamentar na época. A concessionária, por sua vez, informou que pretendia retomada as negociações visando o reequilíbrio do contrato vigente, destacando que os valores dos reequilíbrios não reconhecidos pela Anac eram da ordem de R$ 4,5 bilhões.
Histórico
Em 2013, a ABV anunciou que pretendia investir cerca de R$ 9,5 bilhões ao longo dos 30 anos de concessão para transformar Viracopos no maior e mais moderno aeroporto da América Latina. A primeira fase do plano, executada em 2014 com o aporte de R$ 3 bilhões, resultou em um novo e moderno terminal, mas a empresa não conseguiu atingir o desempenho financeiro esperado com a arrecadação.
Em 2017, quis devolver amigavelmente ao governo a concessão do aeroporto, sendo a primeira do país a pedir uma relicitação. No ano seguinte, com uma dívida de R$ 2,88 bilhões, pediu recuperação judicial a fim de reestruturar as próprias finanças e evitar a falência. O plano foi aprovado dois anos depois pelos credores (incluindo a Anac e o BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Posteriormente, com a melhora nas finanças, a empresa pediu para encerrar o processo de relicitação. Mas, um acordo não foi alcançado, após tentativas de negociação e repactuação com o governo federal, mediadas pelo Tribunal de Contas da União.