A campanha solidária criada para viabilizar a volta ao Brasil do professor de História de Campinas, Wagner de Oliveira Fernandes, de 78 anos, que sofreu uma série de acidentes vasculares cerebrais (AVCs) durante uma viagem à Cidade do México continua mobilizando amigos, familiares e internautas. Apesar de uma recente transferência para um hospital público, a família afirma que a repatriação ainda depende de avaliação médica e de mais recursos financeiros. A família tenta arrecadar recursos para custear uma UTI aérea, única forma segura de trazê-lo de volta ao Brasil.
Segundo a filha, Janaína de Mello Fernandes, o professor entrou na UTI no dia 13 de dezembro, no hospital particular onde estava internado inicialmente, e recebeu alta da unidade intensiva em 5 de janeiro. No último dia 9, ele foi transferido para um hospital público da Cidade do México, onde permanece internado na área de Urgência.
“É o setor onde ficam os pacientes quando chegam ao hospital, com monitoramento 24 horas, mas não chega a ser uma UTI. A expectativa é que ele possa ir para o quarto”, explicou.
A transferência do hospital particular, no entanto, foi marcada por dificuldades com a seguradora e por situações que a família classifica como abusivas. De acordo com Janaína, o seguro não havia quitado os valores devidos nem oferecia o suporte necessário, apesar das solicitações frequentes. Ainda conforme o relato, o hospital passou a realizar cobranças diretamente no quarto de internação, diante de várias pessoas, constrangendo a esposa do professor, Silvana.
Diante da situação, a família recorreu à Defensoria Pública, que enviou uma defensora para acompanhar uma reunião com representantes do hospital, com apoio de um tradutor. “No dia da saída, eles se recusaram a entregar a alta e nos seguraram lá até que houvesse uma negociação”, afirmou Janaína. A liberação só ocorreu com a intervenção do cônsul-geral do Brasil no México, Luís Fernando de Carvalho, que esteve pessoalmente no hospital e acompanhou o processo até a saída do paciente em ambulância.
Outro apoio considerado fundamental veio da médica brasileira Simone Gonçalves, que atua na Cidade do México. Segundo a família, o contato foi feito por meio de uma rede de brasileiras residentes no país, após a divulgação do caso nas redes sociais. Sem conseguir vaga na rede pública, a médica intermediou a transferência do professor para o hospital público onde ele se encontra atualmente.
Apesar do alívio com a mudança, a situação ainda é considerada delicada. Em relato, a esposa, Silvana, afirmou que a família continua enfrentando dificuldades. “Estamos brigando pela repatriação dele. Ele só não foi ainda porque não temos o dinheiro”, disse. Segundo ela, já foram arrecadados cerca de R$ 230 mil. A expectativa é que o seguro cubra aproximadamente R$ 110 mil, mas o custo total da repatriação pode chegar a R$ 310 mil.
Há a possibilidade de um voo acompanhado por médicos, sem estrutura de UTI aérea, o que reduziria o valor, mas ainda envolve riscos ao paciente. Atualmente, o professor permanece internado em um hospital público mexicano, onde as visitas são restritas a dois horários por dia.
De acordo com Janaína, o quadro clínico do pai inspira cautela. “Ele parece estar estável, mas ainda precisa de um tempo para avaliação médica. Não sabemos exatamente quanto ainda falta arrecadar e seguimos precisando de mais apoio financeiro. Esperamos conseguir voltar logo para casa”, afirmou.
A família segue mobilizando uma campanha de arrecadação e divulgação nas redes sociais para viabilizar o retorno do professor ao Brasil, onde ele poderá dar continuidade ao tratamento próximo de familiares e da rede de apoio. As doações podem ser feitas pela plataforma campanhadobem.com/apoio-pro-wagner-no-mexico. Mais informações, atualizadas, sobre o estado de saúde e a campanha também são divulgadas no perfil @apoioprowagner no Instagram.
O incidente
Logo após a chegada ao país, Wagner apresentou cansaço intenso. Silvana identificou uma taquicardia persistente, e os dois buscaram atendimento em um hospital indicado pelo seguro-saúde. Segundo relato da família, o tratamento inicial com medicação intravenosa não apresentou resposta, e a equipe médica indicou um procedimento mais invasivo.
Após a intervenção, Wagner sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e precisou passar por uma cirurgia de alto risco. Apesar de ter sobrevivido ao procedimento, ele apresentou novos AVCs e edemas cerebrais durante o período de recuperação, o que exigiu novas intervenções. Atualmente, o professor está sedado e intubado, em estado crítico. De acordo com informações da família, os custos hospitalares já ultrapassaram R$ 700 mil, excedendo o limite coberto pelo seguro-saúde, e seguem aumentando diariamente.
A estimativa para o transporte do professor ao Brasil por UTI aérea é de cerca de R$ 650 mil. Diante dos orçamentos apresentados e da ausência de cobertura pelo seguro-saúde, a meta da campanha de arrecadação foi ajustada em 16 de dezembro de 2025.
Sobre o professor
Wagner, conhecido como professor Wagner, tem formação pela Universidade de São Paulo (USP) e atuou por muitos anos em cursinhos pré-vestibulares da região de Campinas, como COC, Anglo, Objetivo e Pandora. Ele viajou ao México no dia 9 de dezembro a esposa, Silvana, médica da rede pública da região de Campinas, e com Duda, a caçula entre os cinco filhos do professor.