Em Campinas, a Prefeitura oferece uma série de serviços e políticas públicas voltados ao atendimento, proteção e autonomia das mulheres. As ações também ajudam a promover a reflexão sobre a violência de gênero e destacar as iniciativas voltadas ao enfrentamento desse problema no Brasil. Em Campinas, são cerca de 20 iniciativas que envolvem áreas como saúde, educação, empreendedorismo e, principalmente, acolhimento em casos de violência.
Destaques da rede de proteção às mulheres em situação de violência:
Ceamo (Centro de Referência e Apoio à Mulher): oferece acolhimento a mulheres em situação de violência de gênero, com apoio psicossocial e orientação jurídica.
Casa da Mulher Campineira: espaço voltado à capacitação profissional e empreendedorismo feminino. As participantes podem frequentar cursos e palestras, além de expor seus produtos na Feira da Mulher Empreendedora. A Casa também certifica empresas comprometidas com a equidade de gênero por meio do selo Empresa Amiga da Mulher.
Abrigo Sara-M: acolhe mulheres vítimas de violência e seus filhos, garantindo segurança e apoio em momentos críticos.
GAMA (Guarda Amiga da Mulher): programa da Guarda Municipal que monitora o cumprimento de medidas protetivas de urgência. Realiza visitas periódicas às vítimas e atua de forma preventiva.
Botão SOS GAMA: aplicativo que permite o acionamento rápido da Guarda Municipal em situações de risco. Utiliza geolocalização para identificar a vítima e acionar a viatura mais próxima.
Sala Lilás: espaço exclusivo para acolhimento humanizado de mulheres vítimas de violência.
Desafios
A secretária municipal de Políticas para Mulheres, Alessandra Herrmann, falou sobre a importância dessas ações. “Apesar dos avanços conquistados, ainda há desafios significativos a serem superados no enfrentamento à violência de gênero. Campinas conta com uma rede estruturada de serviços voltados à proteção e ao atendimento das mulheres em situação de violência”, afirmou.
Alessandra ainda destacou que a pasta atua de forma contínua no fortalecimento dessas ações. “Sempre com o compromisso de garantir que todas as mulheres possam viver com dignidade, segurança e autonomia em nossa cidade”, completou.
Luta histórica por direitos
O Dia Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher remete a um marco histórico: em 10 de outubro de 1980, um grupo de mulheres se reuniu nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo para protestar contra a violência e reivindicar políticas públicas que garantissem seus direitos em todo o país. Entre os avanços conquistados ao longo das décadas está a criação da Lei Maria da Penha, sancionada em 2006. Reconhecida pela ONU como uma das legislações mais completas do mundo no combate à violência doméstica, a lei estabelece medidas protetivas, ações de prevenção e suporte às vítimas.
Mapa Nacional da Violência de Gênero aponta alta nos casos de feminicídio
Principais dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero — 1º semestre de 2025:
718 feminicídios foram registrados em todo o país entre janeiro e junho de 2025 — uma média de cerca de 4 mulheres mortas por dia por razões de gênero.
Foram contabilizados 33.999 estupros contra mulheres no mesmo período, o que dá uma média de aproximadamente 187 casos por dia.
Esses números são parte de um levantamento elaborado pelo Observatório da Mulher Contra a Violência, vinculado ao Senado Federal, e fazem parte do Mapa Nacional da Violência de Gênero — uma plataforma que reúne dados públicos e indicadores sobre violência contra mulheres no país.
Tendências, debates e interpretações
Avaliação de especialistas:
Apesar da existência de leis robustas, como a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e a criminalização específica do feminicídio no Código Penal, especialistas destacam que a aplicação efetiva dessas normas exige entendimento profundo do contexto social, fortalecimento de redes de apoio e articulação efetiva entre órgãos estatais e civis.
Campanhas e mobilização social:
Dados alarmantes têm reforçado a importância de campanhas como o Agosto Lilás, que visa sensibilizar a população e incentivar denúncias.
Debate legislativo:
O Senado Federal tem promovido audiências sobre o tema e acompanha indicadores para subsidiar políticas públicas e eventuais ajustes legais.
Contexto mais amplo da violência de gênero no Brasil
O Brasil historicamente registra altas taxas de violência contra mulheres, especialmente no contexto doméstico e familiar, com a maioria dos casos de feminicídio ocorrendo dentro de casa por parceiros ou ex-parceiros.
O canal Ligue 180 do Governo Federal segue como ferramenta central para registro de denúncias e orientação às vítimas, operando de forma gratuita e sigilosa.