A Delegacia de Polícia Federal em Campinas coordenou investigações contra o roubo de cargas e caminhões que resultaram na redução dos índices criminais no estado de São Paulo.
Entre janeiro e novembro de 2025, o território paulista contabilizou 3.192 ocorrências, o que estabelece o patamar mais baixo registrado nos últimos 25 anos.
Em confronto com o mesmo período de 2024, quando o sistema de segurança computou 4.266 casos, a retração atingiu 25,2%. A unidade de Campinas vincula o resultado à deflagração das operações Vareio, Hammare, Baiuca e No Rest (leia mais abaixo). O foco das ações foi o desmantelamento e a descapitalização de organizações com atuação na subtração e receptação de mercadorias, incluindo grupos com ramificações entre estados.
Ao longo de 2025, os dados mensais apresentaram declínio, com 350 registros em janeiro, 243 em junho e 238 em novembro, totalizando uma queda de 31,6% no intervalo analisado.
O balanço nos últimos dois anos soma a prisão de 300 pessoas e o cumprimento de 200 mandados de busca e apreensão. Os agentes apreenderam 80 armas de fogo, e a Justiça determinou o sequestro de bens, veículos e valores que ultrapassaram a cifra de R$ 500 milhões, atingindo a estrutura financeira das organizações para impedir o financiamento de atividades ilícitas. O trabalho envolveu a integração entre a PF, forças de segurança paulistas e o Ministério Público.
Força Integrada
Em 2026, a PF Campinas sediará a primeira Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) do interior do estado. A estrutura, vinculada ao Ministério da Justiça, reunirá servidores de diferentes corporações para a repressão à criminalidade organizada.
Operação Hammare
Foi deflagrada em 24 de março de 2025, mas, a investigação iniciou-se em julho de 2023 após roubo de carga em Cajamar/SP, que revelou três núcleos: roubo, desmanche e receptação. Os líderes ostentavam padrão de vida luxuoso com veículos de alto valor, lanchas e imóveis em condomínios de luxo. Foram cumpridos 17 mandados de prisão temporária e 24 de busca e apreensão em SP, PR, RO e RS, além do sequestro de bens avaliados em R$ 70 milhões. A operação contou com 110 policiais federais e 100 da PM Rodoviária. O nome "Hammare" (martelo, em sueco) faz referência ao instrumento usado nos roubos e à especialidade da organização em caminhões de marcas suecas.
Operação Baiuca
Foi deflagrada em 16 de maio de 2025. Identificou o grupo responsável por ao menos 22 roubos com foco em cargas de combustíveis e bebidas. Os criminosos abordavam caminhões em movimento ou locais de descanso, rendiam motoristas com armas e mantinham as vítimas em cativeiro até o transbordo da carga. Foram cumpridos 19 mandados de prisão temporária e 22 de busca e apreensão em Campinas, Hortolândia, Limeira e Paulínia, além do sequestro de bens avaliados em R$ 1,75 milhão. A operação contou com 120 policiais federais e apoio da GCM de Paulínia. O nome "Baiuca" faz referência a bares usados para lavagem de dinheiro e destinação de bens roubados.
No Rest
Revelou gupo responsável por 26 roubos e 1 furto com atuação violenta: motoristas e familiares eram mantidos em cativeiro, extorquidos e obrigados a realizar transferências bancárias.
Foram cumpridos 17 mandados de prisão temporária e 12 de busca e apreensão em SP, além do sequestro de bens avaliados em R$ 18 milhões. A operação contou com 120 policiais (PF e PM Rodoviária) e apoio do GAECO. O nome "No Rest" faz referência à prática dos crimes enquanto motoristas descansavam.
Vareio
A investigação revelou grupo responsável por 50 crimes patrimoniais utilizando bloqueadores de sinal, galpões para desmanche, comercialização de peças por receptadores e marketplaces. Foram cumpridos 35 mandados de prisão temporária, 49de busca e apreensão, sequestro de bens avaliados em R$ 40 milhões e suspensão de atividades de empresas envolvidas. A operação contou com 220 policiais federais e 205 militares rodoviários. O nome "Vareio" significa repreensão.